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Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Alerta: esse texto contém spoilers.

PARA O FIM DE UMA BATALHA ÉPICA, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 começa bem pequeno. O prólogo volta ao exato ponto final da primeira metade do capítulo que sela a saga do “menino que sobreviveu”: um novo brinquedinho, muito poderoso, nas mãos de Lord Voldemort indica que é ali que o fim começa.

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Nesse ponto, Harry, Rony e Hermione já enterraram Dobby, têm em mãos a espada de Godric Gryffindor e continuam à procura das horcruxes, pedaços da alma de Voldemort guardados em objetos e que garantem sua imortalidade. O diário de Tom Riddle foi destruído por Harry em A Câmara Secreta, o anel dos herdeiros de Salazar Slytherin por Dubledore em O Enigma do Príncipe e o medalhão levado a cabo por Rony na primeira parte de As Relíquias da Morte.

Essa busca os leva de volta a Hogwarts, agora sob o comando de Snape (o sempre incrível Alan Rickman). A batalha quase particular entre Harry e o bruxo das trevas que busca desesperadamente matá-lo ganha, então, contornos de uma guerra. A surpresa mais grata é Neville Longbottom (Matthew Lewis), o mais desajeitado dos alunos e que acaba não só liderando a resistência, mas matando a última horcrux: a cobra Nagini.

Quem condensa esse desfecho magistralmente é Steve Kloves, que roteirizou sete dos oito filmes da saga Harry Potter. Ele conhece esses personagens como ninguém, acompanhou sua jornada e tem uma ótima comunicação com a obra de J. K. Rowling. Os fãs mais ardorosos reclamam de cenas excluídas da trama, mas somente um truque de mágica conseguiria contar todas as 592 páginas de As Relíquias da Morte, mesmo em dois filmes. Além de trabalhoso e caro, poderia comprometer o ritmo já complexo da história.

O que os produtores não economizaram desta vez foi na emoção. Lacunas importantes foram preenchidas e, como não poderia deixar de ser, nos despedimos de personagens que acompanhamos durante muitas páginas, mas acabam não sobrevivendo. Descobrimos, por fim, de que lado Snape realmente está e temos a oportunidade de rever os que já morreram.

Aliás, o que não faltam são apelos visuais. As bucólicas paisagens da Escócia vistas em Relíquias 1 são substituídas por grandiosas cenas de ação tão logo o filme engrena, com a invasão ao banco Gringotes.  Tudo culmina na batalha em Hogwarts, um verdadeiro forte nas mãos de Dumbledore e agora indefesa. Boa parte das criaturas mágicas que conhecemos durante todos esses anos está lá – os dementadores, os gigantes e as enormes aranhas que habitam a Floresta Proibida.

A direção de David Yates amadureceu desde que assumiu a franquia, em A Ordem da Fênix. Ele chegou em um momento de mudança no tom da história, com um vilão que volta das cinzas e agora é forte o suficiente para torturar, matar e até controlar o Ministério da Magia. De lá para cá, Yates soube dar o clima que a história pedia, ajustando inclusive a paleta de cores e locações cada vez menos lúdicas para os interiores, da casa dos Black à mansão dos Malfoy, passando pelos corredores do Ministério.

O que fica claro é que não se trata mais de uma história infantojuvenil. Harry, Rony e Hermione cresceram, e o público também. Ao longo dos anos, os filmes ganharam contornos cada vez mais sombrios e verdadeiramente assustadores, na medida que o final apoteótico se aproximava. E agora que todas as profecias foram cumpridas, os destinos selados e amores declarados, fica a mágica do cinema, que deu vida à imaginação de toda uma geração.

 

Título original: Harry Potter and the Deathly Hallows Part II
Direção: David Yates
Produção: David Heyman
Roteiro: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Alan Rickman, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, John Hurt, Jason Isaacs, Maggie Smith, Jim Broadbent
Lançamento: 2011
Nota:[5 ]

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