Crítica: A Noite é Delas (2017)

critica a noite e delas

poster a noite e delasO QUE ME CHATEIA MAIS EM A NOITE É DELAS (Rough Night, 2017) é que eu queria ter gostado – independente das suas deficiências. Lucia Aniello comanda Scarlett Johansson, Jillian Bell, Zoe Kravitz, Ilana Glazer e Kate McKinnon (melhor personagem da obra) numa comédia sobre uma noite em que tudo dá errado.

Johansson interpreta a protagonista Jess, que recebe suas quatro melhores amigas para a sua festinha de despedida de solteira. Tudo ia bem, até que o stripper contratado sofre um acidente e morre. A partir desse momento, a noite das moças vira um verdadeiro pesadelo.

O maior problema é aquela impressão de que a gente já viu um filme assim antes. Tudo bem que em boa parte delas eram com homens nos papéis principais, mas não apresenta nada de novo. Sendo bem sincero, a falta de originalidade seria aceitável se existissem cenas engraçadas de verdade.

O roteiro bobinho transforma a questão do stripper em algo maior. Enquanto as moças tentam descobrir como se livrar do corpo, acabam descobrindo que se envolveram numa grande sucessão de trágicos e inesperados eventos. A partir dos minutos finais, A Noite é Delas deixa de fazer esforços e o resultado é uma conclusão pavorosa, com direito a briga + reconciliação após ação heróica.

McKinnon aparece em cena como a maluca Pippa e é a única que salva na trama. Seu jeito esquisito e desengonçado garante os poucos momentos inspirados de A Noite é Delas. Bell dá vida para a possessiva Alice, que tenta ser o grande destaque cômico da produção e peca pelo seu exagero. Na verdade, a personagem é chata e infantil. Ela é um clichê fraco e desnecessário. As outras duas amigas são apagadas e recebem pouca atenção (exceto pela sequência em que Demi Moore faz uma participação especial).

Mistura de Um Morto Muito Louco com Depois de Horas, de Martin Scorsese, e todos os outros filmes de despedida de solteiros já produzidos na história do cinema, A Noite é Delas faz humor rasteiro e com raros momentos capazes de nos fazer gargalhar. Nem mesmo o elenco liderado por Scarlett Johansson consegue fazer a produção funcionar da maneira que deveria. E isso é uma pena.

PS: Como consequência da baixa bilheteria nos cinemas norte-americanos, o longa será lançado apenas em DVD no Brasil.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.