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Professora Sem Classe

FORÇANDO A BARRA, talvez a única coisa digna de Professora Sem Classe seja a cena em que Cameron Diaz resolve lavar os carros. Ainda que perca em sensualidade (e estrague o momento com uma criança acenando em um gesto totalmente desnecessário, provavelmente era o filho de algum dos responsáveis do filme) para a mesma cena protagonizada por Liv Tyler em Que Mulher é Essa?, de 2001, é com certeza o melhor momento da fraca comédia. 

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Professora interesseira arruma um casamento com um ricaço e depois que ele termina toda a relação, ela é obrigada a retomar o seu trabalho na escola. Decidida a conquistar um petulante professor substituto, rejeitando as investidas do professor de educação física, tratando mal as colegas de trabalho, menosprezando os alunos, e decidida a colocar silicone nos peitos, a professora se mete em várias confusões.

Diaz já não tem mais a graça que tinha antigamente, o que não significa que a atriz perdeu a sua beleza com o passar dos anos. Simplesmente não possui mais aquele magnetismo capaz de nos arrancar risadas. Encontro Explosivo, onde contracena com Tom Cruise, foi um dos raros momentos de inspiração da atual carreira da atriz.

Mas Professora Sem Classe felizmente não se apoia no belo sorriso cheio de dentes de Diaz. Existe ainda a presença apagada e estranha de Justin Timberlake (um dos piores papéis do cantor no cinema) e o charme grosseiro de Jason Segel, que nas poucas cenas que aparece, consegue animar um pouco a produção e (ajuda a tentar – tentar, vejam bem) evitar que você e sua respectiva/seu respectivo namorada(o) se agarrem e façam algo melhor do tempo. Já a “vilã” Amy (Lucy Punch) consegue ser irritante ao extremo e torna o clichê de mulheres virando inimigas durante a disputa pelo amor de um homem um fiasco. Legal mesmo é acompanhar a atuação da fofinha Phyllis Smith, que rouba a cena com a ingenuidade e insegurança bipolar de sua personagem. Não é coincidência ela ser conhecida por suas performances no seriado The Office. 


Em uma temporada com poucas comédias de destaque, Passe Livre e Se Beber, Não Case 2 foram as poucas exceções, Professora Sem Classe fica bem próximo do previsível Quero Matar Meu Chefe. Apesar a acidez nos diálogos de sua personagem, Diaz é “fofinha” demais para bancar uma semi-vilã e somando ao fato de que o filme soa como uma sessão da tarde para maiores de 16 anos, seria esperar demais se houvesse alguma lição interessante para se tirar da comédia. 

E sim, o trailer consegue arrancar risadas. Mas como é comum atualmente, todas as melhores piadas estão no vídeo e não sobra nada para divertir o público. Se não assistiu ao filme, sugiro que evite o trailer. Do contrário, você também ficará com a impressão de que o produto final é inferior… (e é mesmo)


Bad Teacher, 2011
Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Gene Stupnitsky, Lee Eisenberg
Elenco: Cameron Diaz, Justin Timberlake, Jason Segel

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