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Crítica: Quase 18

O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Quase 18 possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

poster quase 18COMÉDIAS JOVENS ME ENCANTAM. Pode ser porque tenho uma mentalidade de adolescente ou serei sempre o Peter Pan da turma. Não importa, mas sou apaixonado por bons filmes que retratem as angústias de um coração jovem, imaturo e fadado a quebrar muito a cara antes de se dar bem na vida amorosa e profissional.

Nadine (Hailee Steinfeld) é uma adolescente passando por uma crise depois que descobre que a sua melhor amiga está apaixonada pelo seu irmão. Além de cortar a amizade, ela começa a tentar dar em cima de um garoto bobão e desabafa sobre a sua vida com um de seus professores.

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Quase 18 (The Edge of Seventeen,2016) é um exemplar maravilhoso para apaixonados por produções “jovens”. Comparando com Juno, que também tem uma protagonista feminina, é até superior em muitos detalhes. Pelo menos no que diz respeito a identificação e simpatia. No entanto, existem duas cenas muito especiais que me motivaram a dedicar meia hora para escrever essa breve análise.

A relação familiar de Nadine é muito ruim. Sabemos que tudo mudou após a morte do pai (o roteiro delicadamente trabalha com uma Nadine num momento e infeliz, ainda lamentando a perda, como característica mais presente), mas a mãe demonstra uma atenção super especial com o filho. Quem cresceu num ambiente familiar em que a preferência paternal/maternal era visível, irá se identificar facilmente.

Numa sequência em especial, Nadine briga com o seu irmão e sai de casa. A mãe chega e flagra o “filho perfeito” fazendo um suco natural cheio de frutas. Nisso, ela diz o quanto ele é perfeito, maravilhoso e saudável. A cena seguinte é de Nadine enchendo um copo de Milkshake. Ou seja, o diretor conseguiu transmitir para nós a mensagem do quanto Nadine desaponta a mãe sem precisar explicitar isso através de diálogos.

É algo simples, é algo bobinho, mas meus olhos se encheram de lágrimas quando notei e falei com a minha namorada – que acho que somente entendeu depois que o filme acabou e eu voltei nessa cena.

Somente isso já teria me incentivado a vir aqui escrever, mas tem mais!!!

Talvez seja a melhor cena de The Edge of Seventeen. Não sei. Gosto muito do senso de humor do roteiro de Kelly Fremon Craig e a forma como trabalhou a questão do amor platônico que se torna real (Nadine conquista o coração de um colega nerd, mas faz questão de pisar e pisar no rapaz). Só que tem essa segunda cena especial que também encheu meus olhos de lágrimas.

A dificuldade no relacionamento de mãe e filha chega numa conclusão brilhante. Nadine dá o 1º passo e usa seu telefone para avisar que está tudo bem. A reação inicial da mãe é mandar uma mensagem autoritária, no mesmo tom agressor usado em todo o filme. Só que ela pensa um pouco, reescreve a mensagem mais uma vez, depois outra, e finalmente envia com um simples “OK”, que simboliza a confiança na filha. A cena seguinte é um sonoro aplauso, que serve perfeitamente para a própria mãe fazendo a coisa correta.

Se você ama esse tipo de história e quer dicas, recomendo os seguintes filmes, além de Juno, claro: O Maravilhoso Agora (épico!!!); Sing Street; Eu, Você e a Garota que Vai Morrer; As Vantagens de ser Invisível; e A Mentira. Quase 18 é imperdível e está na minha lista de favoritos do ano!

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