Aqui é o Meu Lugar (@festivaldorio)

por Wendel

FILMES COM O SEAN PENN COSTUMAM SER um tiro certeiro. Digo, pelo menos eu não lembro de nenhum filme ruim com ele. Não, não sou pela saco do cara, apenas acho ele um bom ator! Enfim, depois de estrear em Cannes, fomos conferir no Festival do Rio esse filme que trazia na sinopse no mínimo algo que valeria o filme: Penn como um gótico cinqüentão aposentado mas ainda se vestindo como gótico. Vou falar que, só pela interpretação dele o filme já vale!

Cheyenne (Sean Penn), um ex-músico que mais parece o Ozzy vestido de Robert Smith, vive na Irlanda dias de tédio em sua aposentadoria. Morando com sua hiperativa esposa Jane (Frances McDormand), passa seus dias indo ao mercado, cafeterias, jogando paredão e fazendo yoga com sua esposa e observando a bolsa de valores a fim de ganhar mais dinheiro. Não que ele precise, afinal vive dos royalties da sua carreira de sucesso. No ápice da sua depressão, descobre que seu pai (com quem não fala há mais de 30 anos) está morrendo. A fim de se despedir do velho, volta aos EUA, mas não há tempo. Lá acontece um dos maiores choques culturais do filme. Como um true gothic pode ter vindo de uma família de judeus? Como se não fosse suficiente, o pai de Cheyenne deixou um tipo de “último desejo” ao filho: que ele encontrasse o nazista que o humilhou em um campo de concentração. Entediado com sua vida e sem nada a perder, parte EUA a dentro tentando achar o alemão.

Aí temos o que seria a “jornada de auto-descoberta” do gótico. o motivo tenha sido encontrar o tal alemão, impossível não perceber que a cada cidade visitada e cada pessoa que cruza a vida de Cheyenne somam um pouco para que ele encontre quem sabe um motivo pra continuar vivo. Afinal, quem quer continuar fazendo música depois de saber que dois jovens se mataram por causa do que você cantou? Inclusive, essa cena acontece com a presença de ninguém menos que David Byrne do Talking Heads fazendo papel dele mesmo (e fez a trilha sonora do filme), onde o músico tenta convencer Cheyenne a voltar aos palcos com ele.

Por mais que tenha uns pontos lentos e até chatos, o saldo do filme foi bem positivo pra mim. É bonito, divertido, e traz uma mensagem bonita. Bem clichê! O ponto alto do filme fica na cena em que o filho de Rachel (Kerry Condon) pede para que Cheyenne toque uma música do Arcade Fire para que ele cante e o gótico começa a discutir com a criança porque a música é do Talking Heads. Estamos falando de This Must Be the Place (Naive Melody), música que dá nome ao filme e de fato é do Talking Heads e o Arcade Fire fez um cover! Vale a pena assistir! Só não assista se estiver muito cansado porque você corre o risco de dormir!

FICHA TÉCNICA:

Nome Original: This Must Be the Place
Direção: Paolo Sorrentino
Produção: Francesca Cima
Nicola Giuliano
Andrea Occhipinti
Roteiro: Paolo Sorrentino
Umberto Contarello
Elenco: Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade)
Frances McDormand (Queime Depois de Ler)
Kerry Condon
Judd Hirsch
David Byrne
Lançamento: 2011

Wendel

Wendel Wonka largou o curso de Letras Port/Inglês na UERJ pra trabalhar como Técnico Telecom na Oi. O hobbie de DJ acabou virando profissão alternativa e às vezes ganha um trocado com isso. No meio disso tudo, faz resenhas críticas (ou não) e revisão de texto no CdB. Ah, também está tentando o vestibular de novo, só que pra ADM. Faz parte do site desde a sua formação Beta e integra a ala carioca do Buteco (e queria colocar uma foto na horizontal).