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Bleeder

O SEGUNDO FILME DA CARREIRA DO DIRETOR NICOLAS WINDING REFN não decepciona. Lançado em 1999, Bleeder é um drama sobre relacionamentos e personagens com problemas de caráter. Seria estranho imaginar que uma produção nesse caminho logo na sequência do violento Pusher, mas graças às diversas influências de outros diretores e da cultura pop, Refn acaba surpreendendo.

Bleeder apresenta um grupo de pessoas interligadas e a forma como uma gravidez altera todas as relações. Temos um personagem solitário, que trabalha numa locadora e conversa única e exclusivamente sobre cinema. Então ele conhece e se apaixona por uma bela loira, que parece querer corresponder. O melhor amigo desse nerd engravidou a namorada e está ficando nervoso com a possibilidade de virar pai. Enquanto começa lentamente a perder o controle, ele tem que lidar com as ameaças do cunhado, um sociopata agressivo e racista.

Assim como em Pusher, seu filme anterior, a introdução joga uma canção animada e um letreiro vai apresentando os personagens. Impossível não se lembrar do estilo despojado e de videoclipe utilizado por Danny Boyle em Trainspotting. A influência de Boyle é escrachada, mas acaba sendo uma forma eficiente de apresentar os personagens por meio de canções que “descrevem” suas personalidades.

Tanto Boyle quanto o trabalho de Quentin Tarantino parecem ser a bagagem cultural principal nas influências do diretor. Ele cria uma história guiada pelos conflitos de seus personagens e embora peque no excesso de planos sequência mostrando os passos das pessoas, a trama acaba sendo boa o suficiente para prender a atenção do público e corresponde bem com a curiosidade de descobrir como Refn mesclou o drama com a violência, sua marca registrada.

Título original: Bleeder
Direção: Nicolas Winding Refn
Roteiro: Nicolas Winding Refn
Elenco: Kim Bodnia
Mads Mikkelsen
Zlatko Buric
Lançamento: 1999
Nota:

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