Na Natureza Selvagem

2008 tem se revelado um ano de melhores coisas. Minha lista de 5 melhores filmes acabou se tornando extensa demais, e vai só aumentando. Está cada dia mais difícil saírem boas histórias nas telonas, e Na Natureza Selvagem (do original Into The Wild) surpreende por isso. E também pelo fato de ser uma história real.

Este vai ser um post diferente. Não vou citar nomes de personagens, nem de seus respectivos atores. O que esse filme me passou ultrapassa, digamos, limitações.

Exceto um: Alexander Supertramp. Tramp significa vagabundo, mendigo, mas de longe o personagem se assemelha a um. É um espírito livre, lutando para voar numa sociedade que mais parece uma jaula. Qual motivo te faria desapegar de uma vida próspera, “fácil”, material, para viver junto daquela que nos criou? A grande Mãe Natureza. Vivendo pra viver. E nada mais. Sobrevivência. Naquela que parece a idéia mais egoísta do mundo, abdicar-se de relações pessoais e ser livre, só pensar na sua próxima refeição, num lugar pra você dormir, num lugar pra você viver. Você. Várias citações são feitas, o tempo todo, e essa explica bem o que ele quis dizer com isso: “A alegria da vida não só advém das relações humanas. Está em tudo que podemos experimentar. As pessoas só precisam mudar a maneira de olhar essas coisas.”

Partir em busca do desconhecido, uma mochila nas costas, nenhum dinheiro no bolso, um sonho na cabeça: encontrar a felicidade onde ninguém imagina, longe da civilização, longe da falsidade, longe da maldade das pessoas. E em cada canto que passar, deixar sua marca. Saber que pessoas do bem se lembrarão de você, se lembrarão das suas idéias, da sua ideologia de liberdade, e refletirão. Saber que você fez a diferença.

Permitir-se experimentar novas sensações, superar desafios antes nunca imaginados, ser alguém diferente, encontrar-se nas mínimas coisas, adorar um trabalho medíocre por ser o SEU trabalho, enxergar felicidade em pequenos detalhes. Aprender o que nenhuma escola, faculdade ou universidade poderá um dia ensinar: a ser livre. Viver na natureza selvagem. Afastado de tudo e de todos, tendo você como seu protetor. E não só aprender, mas também ensinar.

Mas “A felicidade só é verdadeira quando é partilhada”. É do ser humano compartilhar tudo. Se mostra às vezes uma necessidade contar um fato, espalhar uma boa notícia, ter alguém para consolar nas horas ruins. Por que? Porque saber que tem alguém que se importa nos deixa mais serenos, mais alegres, mais felizes.

As lições que tirei desse filme são infinitas. Poderia ficar aqui horas escrevendo, e ainda assim me lembrar de alguma quando estivesse dormindo. Mas a principal que achei foi essa: Ninguém pode te dizer o que você não pode fazer. Barreiras foram feitas para serem quebradas, sonhos para serem realizados, fronteiras para serem ultrapassadas. E, caso não consiga, que tenha tentado. Ficar parado, à espera de um milagre pra quê, se o mundo está só nos esperando?

O verdadeiro “Supertramp”

Precisa falar que é altamente recomendável?
Destaque para a trilha-sonora do filme, feita por Eddie Vedder, onde sua voz parece se encaixar perfeitamente com todos os cenários.

Ficha Técnica
Título Original: Into the Wild
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Direção: Sean Penn
Roteiro: Sean Penn (roteiro), Jon Krakauer (livro)
Produção: Art Linson, Sean Penn e William Pohlad
Música: Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder
Fotografia: Eric Gautier

Trailer:

A única dádiva do mar são seus sopros severos, e ocasionalmente, a chance de se sentir forte. Eu não sei muito sobre o mar, mas eu sei que o caminho é por aqui. E também sei o quanto é importante na vida não necessariamente ser forte, mas se sentir forte, se avaliar uma vez na vida, se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana, encarando a cegueira, ficando surdo com nada pra te ajudar além de suas mãos e sua própria cabeça.

Obs: Post transferido do Sessão Curuja.

Redação do Buteco

Cinema por quem entende mais de mesa de bar.