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O Homem que Mudou o Jogo

CERTOS GÊNEROS CINEMATOGRÁFICOS ESTÃO FADADOS À MESMICE. Cabem aí as comédias românticas, os filmes de terror e, é claro, os de esportes. Não é necessariamente um demérito, mas é pura e simplesmente um fato: adoramos finais felizes. Por isso, o arco dos personagens requer, inevitavelmente, que o mocinho fique com a mocinha, o time vença e o herói sobreviva no final.

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O grande atrativo de O Homem Que Mudou o Jogo está, portanto, no fato de ser diferente. Este é um clássico filme de esportes, com direito a uma história de superação, takes do estádio lotado, a trajetória de altos e baixos e roteiro baseado em fatos reais. Mas, ao contrário de boa parte dos longas do gênero, este é contado do ponto de vista do gerente do Oklahoma Athletics, um time de baseball sem dinheiro e grandes jogadores e uma quantia modesta de credibilidade.

Billy Beane (Brad Pitt) já foi batedor e entende o jogo. Tanto o que acontece no campo, quanto o que ocorre fora dele. A perda da World Series na final e de seus três melhores jogadores para times de maior expressão faz com que Beane aposte em Peter Brand (Jonah Hill), um jovem economista recém-formado que, apesar da falta de experiência, compreende o baseball a partir de um outro prisma: o dos números. Utilizando um modelo comparativo de desempenho, o gerente monta um novo Oklahoma A’s, com poucas estrelas e muito a aprender.
Como acontece com as novas idéias, esta não foi bem aceita. E a difícil escalada dos A’s é, além de tudo, um teste para o gerente, que tem de enfrentar as críticas da grande imprensa esportiva e provar para a filha adolescente que é capaz. Afinal, poucos achariam que contratar um jogador por centenas de milhares de dólares ao ano baseado apenas em estatísticas é uma boa estratégia.

A tarefa hercúlea transparece nas rugas do gerente. É interessante ver o ator em que Pitt se tornou. Claro que não é de hoje que ele traz bons filmes no currículo, mas parece que, com a maturidade, eles têm sido cada vez mais freqüentes. A indicação ao Globo de Ouro é merecida. O elenco de apoio é, no mínimo, competente. Robin Wright faz a ex-esposa e o treinador é ninguém menos que Philip Seymour Hoffman– que ficou sem a cena clássica do discurso no vestiário. A impressão é que o grande ator foi mal aproveitado.
Apesar da indicação ao prêmio do Screen Actors Guild, ainda não dá para levar Hill a sério. Acostumado ao papel de gordinho engraçado, ele parece desconfortável como o jovem economista que ajudou Beane a reerguer o time. Para ser justa, parte da falta de confiança se deve, é claro, à falta de experiência de seu personagem. O fato de baseball não ser um esporte popular no Brasil não será problema para a compreensão do longa. Poucas são as cenas em campo e os diálogos não se perdem em termos técnicos ou muito específicos.
Afinal de contas, este é um filme de esportes sobre uma idéia pioneira e um homem que não tem outra escolha a não ser arriscar. Por isso, é tão fácil se envolver com a história. Documentarista, o diretor Bennett Miller (de Capote) parece ter certo fascínio por personagens reais de trajetórias marcantes. Em seu segundo longa de ficção, este foi um belo home run.

Título original: Moneyball
Direção:
Bennett Miller
Produção:
Michael De Luca
Rachael Horovitz
Brad Pitt
Roteiro:
Steven Zaillian
Aaron Sorkin
Elenco: Brad Pitt (Árvore da Vida)
Jonah Hill (Ligeiramente Grávidos)
Philip Seymour Hoffman (Tudo Pelo Poder
)
Lançamento:
03.Fev.2012
Nota:  

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