Ruby Sparks – A Namorada Perfeita

Ruby Sparks - A namorada perfeita

COMO GRANDE ADMIRADOR DO TRABALHO DE PAUL DANO não pude dixar de conferir mais esse trabalho do rapaz, principalmente também porque se tratava do retorno de Jonathan Dayton e Valerie Faris as telonas. A obra é de Zoe Kazan (que até então só a conhecia um pouco, através de sua participação em Bored to Death) e acredito ela não poderia ter escolhido uma dupla de diretores mais sensível para entregar o seu primeiro filho, o filme Ruby Sparks – A Namorada Perfeita.

O longa conta a história de Calvin Weir-Fields, um escritor renomado de apenas um livro que está em lua luta pelo nascimento de sua segunda obra. Com baixíssimas habilidades sociais, Calvin vive fechado em seu mundo sem conseguir desenvolver nenhum tipo de interação nem mesmo com suas fãs. Após o término de um longo relacionamento e pressionado pelo seu irmão, Calvin começa a imaginar uma mulher ideal para sí, escreve dias à fio sobre ela, e sobre grande pressão psicológica, quando ele menos imagina ela se torna real.

Ruby Sparks - A namorada perfeitaO filme traça um ótimo panorama sobre a cultura “find your match” que vivemos hoje em dia, aonde as pessoas não estão mais dipostas à conhecerem uma pessoa, descobrir sobre a sua vida e se gostar, aceitá-la como ela é. Não, o normal hoje é ser prático, achar um perfil que combine com você, que atinja o seu ideal, dar uma cutucada e ser feliz. O que frusta muitas pessoas, já que é um ideal inalcansável, dando origem a uma geração de pessoas solitárias.

O personagem de Dano chega ao limite desse estereótipo, aonde dispõe de suas habilidades como escritor para desenhar essa mulher perfeita, e como se não bastasse ao descobrir que a sua escrita resulta em efeitos imediatos sobre a pobre Ruby, começa a podar características da mesma que fogem ao seu controle. Quando não satisfeito com alguma coisa, ele volta a ordená-la a agir exatamente conforme as suas expectativas.

O filme é realmente divertido e cativador, não só pelas ótimas atuações de Kazan e Dano, mas também por toda a história que é encaminhada de uma forma bem leve e descontraída, até a parte da visita a casa da mãe, em que todos os problemas de Calvin começam a vir à tona. E quando começa toda a revolta do personagem com Ruby, que ela começa a ter personalidade própria e tudo culmina na tal festa, vemos que a ex-namorada do rapaz, que não “atendia as suas expectativas” era ninguém menos que Deborah Ann Woll… Sinceridade, tive muita vontade de mandar ele t.n.c.!

Ruby Sparks - A namorada perfeita

Louros também para as participações de Annette Bening, Antonio Banderas e Elliott Gould, adorável como sempre, e Chris Messina que foi bem incisivo na representação do pratico irmão de Calvin, fazendo exatamente esse contraposto com o personagem sobre o que exige a realidade de um relacionamento que não se limita as idealizações de uma pessoa.

Uma salva de palmas para Zoe Kazan por esse texto sensível e atual, para a brilhante atuação de Paul Dano, sempre, e para a grande percepção de Dayton e Faris que apesar de lidarem com delicadeza com a história, não hesitaram em trabalhar com o elemento surpresa e algumas vezes assustador, muito perceptível na câmera deles. O filme é realmente bom, bem acima da média de comédias românticas e merece aqui no buteco quatro caipirinhas.

 Ruby Sparks - A namorada perfeita - Poster

Nota:[quatro]

Jairo Borges