Mistérios e Paixões

Mistérios e Paixões

MISTÉRIOS E PAIXÕES É UM FILME BIZARRO E CAÓTICO, no qual acompanhamos Bill Lee (Peter Weller) – um aspirante a escritor que extermina insetos. Bill começa a enfrentar problemas no trabalho por que seu pó de dedetizar está desaparecendo. A verdade é que a sua esposa, Joan, está viciada nessa substância e quando ele injeta um pouco em si mesmo, entra em outro mundo, onde encontra paranoia e alucinações, elementos que deixam o espectador confuso e geram um forte estranhamento. Essa sensação é bastante eficaz, uma vez que faz com que nós nos identifiquemos com o personagem principal em sua loucura e em seu vício, sem saber identificar o que é real ou o que é ilusão, diferença que para o espectador não importa, já que o filme é sobre Bill

Cronenberg usa uma paleta que remete ao noir, com pouca saturação, o que ajuda tanto a criar um clima frio quanto um estranhamento e desconforto na película, que é também causado pela violência gráfica e por figuras incomuns, como máquinas de escrever que se transformam em insetos gigantes e mesmo depois de tantos anos ainda funciona.

O filme gera certa confusão em relação a seus personagens – muitos surgem poucas vezes e somem sem muitas explicações, deixando o espectador confuso. Entretanto, isso ajuda na identificação e construção do personagem principal bem como de sua loucura.Todo esse caos pode atrapalhar a apreciação geral do filme, afinal, algo que deixa o público desconfortável poderia ser confundido com algo ruim, mas esse desconforto é perfeitamente justificável – e necessário – para o filme funcionar bem.

David Cronenberg nos presenteia com esse filme bizarro, nojento, caótico e magnífico, usando magistralmente o desconforto como elemento narrativo que pode ser erroneamente mal interpretado a primeira vista, mas que, em uma análise mais profunda, se mostra tão genial.

Mistérios e Paixões Poster

Título original: The Naked Lunch

Direção: David Cronenberg

Produção: Jeremy Thomas

Roteiro: David Cronenberg

Elenco: Peter Weller, Judy Davis

Lançamento:  1991

Nota:  

 

João Golin

O mais novo da equipe do Cinema de Buteco, ele é o único que realmente tentou estudar cinema seriamente. No processo, aprendeu a beber, se apaixonou mais uma vez por Taxi Driver, e sonha com o dia em que ganhará uma faixa escrita: “nós amamos o Gollum”.