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Cartas Para Julieta

Se você ainda não assistiu Cartas Para Julieta, sugiro que não leia o texto a seguir.

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CARTAS PARA JULIETA É UM FILME DE ROMANCE que conta a história de Sophie, uma jovem escritora que vai passar uns dias no interior da Itália com o noivo, que acaba ficando ocupado com suas coisas e lhe deixa a ver navios. Sophie descobre um grupo de mulheres que trabalha respondendo cartas que mulheres do mundo inteiro pregam na parede da Casa de Julieta e acaba encontrando uma carta escrita há mais de 50 anos. Na carta, Claire se revela apaixonada por Lorenzo, mas tem medo de que seus pais não aprovem o relacionamento e fica sem saber o que fazer. Sophie resolve ignorar as barreiras do tempo e responde a carta. Semanas depois, Claire e seu neto chegam na Itália, dispostos a encontrar Lorenzo e o amor verdadeiro.

O velho ditado “quem não dá assistência, abre espaço para a concorrência” ganhou um filme que não poderia refletir melhor o significado dessa frase. E devo admitir que é uma história cativante e que consegue ser romântica sem cair no brega ou fazer o espectador morrer com o excesso de açucar. Ignorei esse filme por muito tempo e acabei surpreendido pela leveza e sensibilidade como a história de Sophie (Amanda Seyfried) é contada.

Todo mundo já namorou com alguém que tivesse outras prioridades, além de pensar no futuro do relacionamento e na própria pessoa. Não importa se a prioridade era um cursinho pré-vestibular, uma faculdade, um emprego, um blog ou um negócio, como no caso do personagem Victor (interpretado por Gael Garcia Bernal), por mais compreensivo que você seja, uma hora tudo chega ao limite e é inevitável se cansar. Já no final do filme, Sophie desabafa com o noivo e diz que não sabia mais o que eles estavam fazendo. Que era um absurdo terem passado uma viagem inteira sozinhos ao invés de ficarem juntos, e que pior era que isso não tivesse incomodado a nenhum dos dois. No final ela conclui dizendo uma das frases mais marcantes do filme: “Eu amo você, mas eu mudei”. E assim termina o relacionamento e parte em busca da pessoa que a faria feliz de verdade.

No cinema isso tudo soa fácil demais. O próprio Victor acaba aceitando tudo sem discutir ou argumentar, talvez por se conhecer e saber que ele não poderia agir de modo diferente. Mas na vida real não é a mesma coisa. O que podemos fazer quando a outra pessoa muda e você fica estacionado, acreditando e amando o que se transformou no passado? Numa ilusão? O personagem de Gael Garcia negligenciou o amor de Sophie praticamente o filme inteiro. Ele colocou o seu negócio no ramo da culinária como mais importante que dedicar alguns dias para a pessoa amada. Enquanto isso ela vivia o amor através da vida e coragem de uma senhora idosa que procurava recompensar um erro do passado. Passou a viajar pelos românticos “cenários” italianos na companhia dessa apaixonada velhinha e seu netinho sarado e bonitão, que logo se apaixonaria pelos encantos de Sophie. 


Em apenas uma semana, Sophie descobriu que o seu relacionamento já não existia mais e que ela precisava buscar algo que a completasse de verdade. Buscar alguém que fizesse questão da companhia dela o tempo inteiro. Havia mais amor na busca da velhinha Claire pelo seu Lorenzo, do que no seu noivado e isso realmente fez a diferença. Ele teve tempo o suficiente para perceber o rumo que estava indo e consertar a sua vida, evitando um desastre completo. Algumas pessoas conseguem ser capazes de fazer isso na vida real, mas raras são as vezes em que um lado não sai machucado. Cartas Para Julieta tenta dar esse aviso, deixar essa mensagem positiva para que os corações apaixonados não se deixem levar pela indiferença e descaso do parceiro. Todo mundo tem direito de ser feliz, mesmo que isso signifique escolher ficar sozinho por um tempo. Às vezes não há nada mais importante que um tempo para si mesmo. 

Letters to Juliet, 2010
Direção: Gary Winic
Roteiro: Tim Sullivan, Jose Rivera
Elenco: Amanda Seyfried
ps: dedicado para a Isabella Fernandes, que deve ser capaz de entender nas entrelinhas.

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