Closer – Perto Demais

Difícil descrever as sensações que esse filme consegue despertar. Sensações há muito perdidas, há muito esquecidas, há muito superadas.

Impossível não enxergar comparações com “A Insustentável Leveza do Ser“. Tereza é Alice. E o fraco Tomas é Dan. Fraco Dan. E tem também Anna, a bella Anna; e Larry. Um quarteto amoroso, com pontas fracas e pontas fortes, que se completa.

As comparações continuam: podemos olhar para alguém e saber que ela é a nossa metade? Amar à primeira vista, literalmente? Acasos são sempre interessantes.
Mas uma pessoa só nunca satisfaz… né?
Dan é um elo fraco da relação. Ele acha que consegue viver dois amores, e quando vê que é impossível manter uma vida dupla, escolhe a sua metade fraca. Está cansado de cuidar de alguém, mas não percebe que precisa de cuidados, e acha que encontrará em uma o que não achou em outra. E sim, ele ACHA que encontra. E ela…

Larry conhece Anna por um grande acaso. Uma coincidência planejada. (Sim, elas acontecem). E porque não aproveitá-la? Ficam juntos, mas ela com a cabeça em outro lugar…

Dan é um cretino. Não percebe que Alice é seu elo forte, sua ligação, sua cara-metade. Abandona-a. Por que? Porque ele é um egoísta. Um covarde.
Anna é uma “submissa” (submissa talvez seja uma palavra muito forte, assim como cretino, mas exemplificam bem). Precisa de alguém que tenha disposição para colocá-la no colo e dizer que tudo vai ficar bem. Mas não percebe que Dan também precisa de cuidados, e larga Larry por uma ilusão.

Alice primeiramente se mostra a fraca da relação.
“-Eu te amo, porque não me deixa fazer isso?
-É só um fim de semana.
-Por que não me deixa te amar?”

Mas ela é a força interior que se mostra quando as coisas estão ruins. Ela é a coragem que surge para agir e ser livre. Quando todos acham que Dan está por cima, Alice dita as regras. E some. E tem força para deixar, mesmo não querendo isso. Porque é o melhor a ser feito. Para ela. Não por egoísmo. Porque o amor já se fora. E ela não quer ser sua amiga. Ela só quer ser sua amante. E mais. Ela sabe que Dan voltará. Mesmo desaparecendo, uma hora ele irá encontrá-la.

Larry é um calculista. Dos bons. Perde o chão quando Anna o abandona, mas consegue agir para tê-la de volta, e consegue.

Mas são todos personagens da vida. Seja Dan um cretino ou não, Anna, uma submissa ou não, Alice uma forte ou não, Larry um calculista ou não.
Não sei qual é a opinião geral do filme… Para mim, um excelente filme, um espelho de relacionamentos reais. Talvez por isso impressione tanto, pela realidade que é mostrada. Quem não ficou chocado quando descobriu que todo esse tempo, “Alice” e Dan viveram uma grande mentira?
Afinal, quem era Jane? E quem era Alice? Genial. Lindo, recomendo demais.

E quem é você, nesse quarteto? Todos passamos por experiências parecidas, fomos fortes, fracos, agimos certo, errado…

Ficha Técnica:

Título Original: Closer
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Patrick Marber
Produção: Cary Brokaw, John Calley, Robert Fox, Mike Nichols e Scott Rudin
Fotografia: Stephen Goldblatt

Trailer:

Ps: post dedicado a três pessoas…

Redação do Buteco

Cinema por quem entende mais de mesa de bar.