Jules e Jim - Cinema de Buteco
Romance

As Mais Belas Histórias de Amor: Jules e Jim

Jules e Jim Poster
por João
Jules-e-Jim-Poster As Mais Belas Histórias de Amor: Jules e JimJules e Jim(Jules et Jim) De François Truffaut. Com Jeanne Moreau, Oskar Werner, Henri Serre.
Uma série sobre filmes de amor não poderia excluir Jules e Jim, clássico da Novelle Vague e obra prima de François Truffaut. Uma bela amizade, uma bela mulher, um amor que pretende ir além de tudo aquilo que já viveram ou que poderiam viver. Mas será isso possível?
Quando se conhecem Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) tornam-se instantaneamente amigos. Cada um tem seu modo específico de tratar as mulheres, de se relacionar com elas. Um é mais conquistador, outro mais tímido talvez mais romântico. Nada que os separasse. Afinal suas diferenças eram sempre tratadas com certo carinho. E respeito principalmente.
Ao conhecerem Catherine (Jeane Moreau) a atração é quase automática. A princípio apenas pelo fato de que ela se parece com uma estátua que haviam visto, cujo sorriso era algo tão belo que nunca poderia ser encontrado no rosto de uma mulher. O encontram finalmente. Os três passam a desenvolver uma relação atípica, onde o limite entre o amor vivido (aquele entre Jules e Catherine, ou até mesmo entre Jules e Jim) e o amor velado (aqui o sentimento de Jim e Catherine) é sempre o referencial, e sem querer o trio se apercebe de que o amor é demais para duas pessoas apenas.
Na verdade Catherine é mulher demais para dois homens. É mulher demais até para si mesma. A todo o momento mutante, dominadora ao mesmo tempo em que é carinhosa, egocêntrica, cruel ao mesmo tempo em que é doce. Capaz de trair e de fazer as mais belas declarações de amor. Do seu jeito. Afinal uma coisa não anula a outra. Entenda quem quiser. Ou conseguir.
O fato é que nessa delicada relação o dado do respeito ao outro e aos seus limites (que mesmo nesse ideal de “amor livre” aparecem) é sempre presente. E isso é a coisa mais bonita do filme. A cumplicidade, o acordo estabelecido sem palavras ou contratos. Apenas com a vivência que fez com que as coisas tomassem seu lugar. E fez com que esses três amantes se dessem conta de que não poderiam viver um sem o outro.
O tempo, a guerra, as brigas, as mágoas, as frustrações e as alegrias: tudo isso atravessa o filme e a relação de Jules, Jim e Catherine. O projeto de amor pensado por eles (principalmente por ela eu diria) não pode se manter. O tal amor livre dá conta de certas carências dos três, mas não de todas. A maturidade, o choque de realidade são mais fortes, e o amor, que parecia ser eterno, perfeito, imaculado, acaba. Catherine não sabe mais viver de outro jeito. Resta a ela um ato meio louco, meio inocente para selar uma união que nunca se deu de fato. E aí vem o fim.
O filme tem um ritmo rápido, mas nunca confuso. É gostoso de assistir em fim de tarde sozinho em casa. Jeanne Moreau é linda. A clássica cena dos três correndo na ponte, a música que fica na cabeça por dias (e isso não é coisa ruim)… A sensação que o filme deixa não fica muito clara. A cena final em contraposição com o que havíamos acompanhado o tempo todo é um baita choque. O amor acaba. Talvez este seja o clichê mais cruel que se conhece sobre ele.
Jules e Jim é um sonho: todos nós sofremos diante do aspecto provisório de nossos amores e esse filme nos leva justamente a sonhar com amores definitivos”.
François Truffaut (1975)

João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.

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