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Crítica: La La Land – Cantando Estações (2016)

O HYPE É POP e o pop não poupa ninguém. La La Land – Cantando Estações (La La Land, de Damien Chazelle) é o musical que arrasou no Globo de Ouro faturando a maioria dos prêmios da noite e que recebeu uma atenção especial da crítica/público. Falavam tanto da nova produção do diretor de Whiplash, que aquela preguiça básica começou a pesar. Tive um pouco de receio de não gostar do filme, mas como cinéfilo, é praticamente impossível não se derreter com a obra.

Caraca!

La La Land (queria eu morar nessas redondezas com nome de uma ruiva inspiradora que eu conheço) é um musical que não enche o saco, como é o caso de Os Miseráveis, de Tom Hopper, ou de outros clássicos antigos – exceto Cantando na Chuva, claro. Mais que um musical, ele é uma comédia verdadeiramente romântica deliciosa sobre um jovem casal lutando para realizar os seus sonhos.

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Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz apaixonado pela arte. Ele acaba de perder o seu emprego num bar e começa a buscar alternativas para abrir o seu próprio negócio. Mia (Emma Stone) é uma garçonete aspirante a atriz, que coleciona fracassos nos seus testes para realizar o seu sonho. A vida dos dois se entrelaça por acaso, até que o amor pela arte os une para enfrentarem juntos os desafios necessários para serem felizes.

La La Land é basicamente um filme sobre o amor. Não apenas do tipo romântico ou sexual, daqueles que você pode sentir por uma ruiva como a Emma Stone, mas pela realização de nossos sonhos. É lindo ver como o casal funciona como uma unidade para encontrar maneiras de tornar possível as aspirações profissionais de cada um. Mia enfrenta rejeição atrás de rejeição, ao mesmo tempo que Sebastian se vê obrigado a tocar num projeto em que não acredita, mas que lhe dará o dinheiro. Ambos sofrem e se consolam mutuamente, pois acreditam em dias melhores. E isso é inspirador pra caralho.

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Seria um absurdo não dizer que La La Land é também uma declaração apaixonada para a música. O jazz, mais precisamente. Assim como em Whiplash, quando acompanhamos a jornada de um jovem estudante de bateria, aqui temos o jazz como uma energia capaz de mover montanhas. Há uma sequência arrepiante, na qual Sebastian se empolga falando da música para uma Mia, que minutos antes revelou não gostar de jazz. Com esses dois belos trabalhos seguidos no currículos, Damien Chazelle parece garantir um lugar especial no hall de cineastas que realizaram verdadeiras homenagens para a música em suas obras.

Já que estamos falando tanto de amor, como não notar que La La Land arranca sorrisos e suspiros dos fãs da sétima arte com uma naturalidade surreal? Aliás, vamos ser sinceros, né? Essa aura especial arranca até nossas lágrimas! A sua combinação de trilha sonora com cores vibrantes no figurino e na fotografia, além de números musicais de extremo bom gosto, é parte fundamental daquilo que diferencia a obra de qualquer outra lançada nos últimos tempos. Chazelle oferece uma opção de entretenimento inteligente com um domínio completo de tudo aquilo que faz os cinéfilos de carteirinha chorarem de emoção. Pode até ser que o longa-metragem desagrade algumas pessoas sem coração (ou completamente intolerantes a musicais), mas eu ouso acreditar que La La Land é tão especial que conseguirá conquistar até quem achava que musical era um verdadeiro pé no saco.

Desde já, esse é o meu grande favorito para o Oscar 2017 e presença garantida nas nossas listas de melhores do ano em dezembro.

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