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As Mais Belas Histórias de Amor do Cinema: Titanic

Titanic - Jack e Rose

TITANIC SEMPRE SURPREENDE, pois é cinema clássico feito com o coração e com a eficiência de quem sabe contar histórias épicas, mas que tem em seu centro personagens com motivações e percursos extremamente identificáveis, para quem torcemos incondicionalmente, mesmo sabendo que o fim neste caso será a morte, ou a dor de um amor que resta apenas na memória. O ano era 1997, e James Cameron arrebatou plateias por justamente lhes dar o que queriam ver: entretenimento de qualidade. Mas, depois de um relançamento em 3D e excessivas exibições na TV, o que resta de Titanic cinco anos depois?

Foi quando me peguei torcendo para que o navio não se chocasse com o iceberg, ao assistir o filme como se fosse mera “seção da tarde”, que me dei conta de que há um ponto em Titanic entre tantos outros, que faz com que o filme funcione e emocione sempre que é visto: a narrativa de uma história de amor que não apenas desperta uma mulher para a vida como também a liberta de uma prisão da qual ela queria se livrar, sem saber como. Rose, agora já centenária, conta a história de um amor que se tornou intacto assim como as relíquias encontradas no naufragado navio.

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Titanic é também a história de amor do homem pela sua própria capacidade de criar e de dominar a natureza; amor tão grande e egoísta que cega e ilude. Há também a história da separação das classes contada mais através das imagens e da forma como se cruzam comparando realidades, do que através de palavras, por mais que estas apareçam em algumas cenas, evidenciando uma dicotomia interessante: num navio construído por operários irlandeses, a alta sociedade inglesa desfila uma sucessão de rituais superficiais e vazios, enquanto os membros da 3ª classe, vivem a viagem como um sonho de grandeza nunca antes experimentado. Os ricos tomam chá enquanto o navio afunda; os pobres lutam por sobrevivência, embora claramente ocupem um lugar diferente na tripulação. Há uma cena em que correm pelos corredores seguindo os ratos, enquanto a primeira classe recebe seus coletes salva-vidas enquanto tentam impedir o pânico. Ouvem música clássica para morrer afogados, diz um personagem em determinado momento. Uma sociedade feita de aparências. Por detrás delas há crueldade e individualismo exagerado.

Titanic - Rose Velha

Mas no fundo é uma narrativa linear, sem grandes inovações. A tecnologia envolvida na pesquisa da história do naufrágio também marcou a história do cinema e afirmou a obsessão de Cameron por suas histórias. Mas nada disso é maior que os personagens, e a capacidade com que cada um deles consegue causar sentimentos tão fortes no espectador, fator decisivo num filme catástrofe (um gênero ao qual o filme nunca se prende, vale dizer). A escolha do elenco certamente contribuiu para isto, com destaque para a ala feminina do casting. Kate Winslet é a heroína apaixonada por impressionismo e Picasso que sente o desespero de alguém que pode ter sua liberdade roubada por um orgulhoso Billy Zane. Leonardo DiCaprio faz o jovem artista idealista que carrega consigo somente o necessário para ser feliz. Há também Kathy Bates e Frances Fisher, mas principalmente Gloria Stuart, que transporta para o presente sua visão de uma história trágica e bela de amor. Tem-se a impressão de que Rose, viveu tanto e tão intensamente (como comprovam as fotos de sua cabeceira) para fazer valer a velha promessa feita a seu amado, momentos antes de vê-lo morrer congelado no mar do Atlântico. Ela tornou-se uma mulher forte, e que honra o pedido que Jack lhe fizera: Rose nunca desistiu.

Um filme que sempre desperta novas sensações a cada contato, e faz do clichê algo significativo como experiência cinematográfica. Titanic fala de amor à moda antiga, sem perder o encanto, e sem se perder na grandiosidade de uma história que fala sobre a grandeza da criação humana. Voltar ao Titanic é sempre uma viagem fantástica com destino ao melhor que o “cinema espetáculo” pode oferecer.

Titanic Poster

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