A Pele Que Habito - Cinema de Buteco
Drama Terror

A Pele Que Habito


a-pele-que-habito-1024x682 A Pele Que Habito
FINALMENTE CONSEGUI ASSISTIR A UMA ESTREIA do Almodóvar no Festival do Rio, e posso dizer que a espera valeu a pena. A Pele Que Habito é um filme que criou muita expectativa em todos (tá, pelo menos muita em mim) e envolveu muitos burburinhos, principalmente pela volta do Antonio Banderas (Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos) e da Elena Anaya (Fale com Ela) aos filmes do Almodóvar.

Com várias referências ao Brasil, A Pele Que Habito conta a história de Robert Ledgard (Banderas à lá Doctor Ray), um cirurgião plástico renomado, que acaba de inventar um tipo de pele sintética para pessoas que sofreram queimaduras severas. Se esse fosse o enredo principal do filme, Almodóvar teria caído na cilada hollywoodiana dos blockbusters e o filme seria mais um filme de ficção bobo ou aquele dramalhão do herói tentando validar seu experimento e fazer com que o comitê de ética o aceite e mimimis. Mas justamente por não ser o principal, o filme acaba tendo um quê de ficção, um quê de drama e o mais importante, um quê de thriller. Robert na verdade começa a desenvolver essa pele na tentativa de salvar sua mulher que tem o corpo queimado num acidente de carro. Posteriormente, essa pele assume um papel importante na vingança de Robert contra Vicente/Vera (Jan Cornet/Elena Anaya).

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A trama vai se desenrolando de forma não cronológica e assim consegue surpreender o espectador com o encaixar das peças. As diversas histórias dentro da história principal vão tecendo o caminho até o ápice do filme quando se descobre a grande vingança e sua motivação. Com elementos sádicos e até meio doentios, o filme também é cheio de elementos característicos do diretor, como elenco “cativo”; o drama espanhol quase mexicano; a gritaria; o sexo e a sexualidade à flor da pele… Nesses quesitos A Pele Que Habito não deixa a desejar. Aliás, não sei se em algum quesito ele deixa a desejar. Não que eu tenha achado “O” filme do Almodóvar, mas certamente não passa despercebido. Fato é que A Pele Que Habito consegue ser mais perturbador que Fale Com Ela! Num clima meio Dr. Jekyll & Mr. Hyde, o personagem do Banderas consegue cativar o público. Acho que pelas motivações do personagem ele acaba sendo meio carismático, assim como Benigno em Fale Com Ela. Ok chega de comparações. De uma forma geral, o filme me surpreendeu de forma muito positiva. Achei sutil, intenso, sangrento e violento. Aparentemente os 4 adjetivos não combinam, mas sendo a sutileza e a intensidade encontrada nas atuações e nos personagens, o sangue em geral, e a violência sendo mais psicológica do que física talvez fique mais fácil de compreender. Ou não.

 

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A fragilidade do corpo, da pele, que sofre com a intensidade e violência da vingança e do mundo, é a questão que é tocada de forma sutil, porém pontual. Robert tenta criar uma pele mais resistente, e ao mesmo tempo testa a todo custo as “resistências” dessa pele, desse corpo, desse indivíduo. E ao mesmo tempo também testa suas próprias resistências, a ponto que mistura vingança com paixão. Pensando assim pode-se dizer que é um filme de limites, tanto para os personagens quanto pra quem o assiste, porque em alguns momentos fica difícil tolerar que seja aquilo mesmo que está acontecendo. Mas é um filme que instiga. Vale umas 4 caipirinhas fácil.

a-pele-que-habito-1024x682 A Pele Que HabitoFICHA TÉCNICA:

Nome Original: La Piel Que Habito
Direção: Pedro Almodóvar
Produção: Augustín Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas (Entrevista com o Vampiro)
Elena Anaya (Fale Com Ela)
Marisa Paredes (Tudo Sobre Minha Mãe)
Jan Cornet
Roberto Álamo
Lançamento: Out/2011

Ju Lugarinho

Ju Lugarinho é aspirante a psicóloga e amante...: da fotografia, do cinema, da música e, principalmente, dos bons chocolate. Adora todo babado e confusão, e suporta muito bem as criancinhas.
Parte da elite carioca do Cinema de Buteco, só funciona sob pressão, e no Buteco escreve sobre aqueles filmes que todos amam, ou odeiam, tanto faz.

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