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Alien – O Oitavo Passageiro

RIDLEY SCOTT DEVE A SUA CARREIRA AO LONGA-METRAGEM QUE LANÇOU NO FINAL DA DECÁDA DE 70. Para se consolidar como um dos principais cineastas de sua geração, anos depois dirigiu Blade Runner – O Caçador de Andróide, que logo se transformou em outro clássico da ficção-científica. Com dois enormes sucessos em sequência, quem poderia apontar o dedo no nariz de Scott e afirmar que ele era um bundão sortudo?

Claro, ele fez bons filmes, mas nunca mais se arriscou na ficção, preferindo épicos e dramas, mas nada chegou perto do nível de Alien – O Oitavo Passageiro.

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O filme estrelado Sigourney Weaver (Avatar) apresenta uma nave espacial viajando de volta para o planeta Terra e recebendo uma estranha e misteriosa transmissão desconhecida. Pelas “leis espaciais” ou alguma besteira burocrática (até no espaço tem isso, cara), eles são obrigados a atender a chamada e descobrir o que está acontecendo. Os sete tripulantes (oito com o gatinho, como diz o nosso crítico internacional Lucas Paio) ficam contrariados, mas acabam aceitando desviar a rota para investigar. Dizem que o que está ruim, costuma ficar pior e Alien – O Oitavo Passageiro é exatamente “o filme” desse ditado. Os tripulantes vão parar em um planeta deserto e descobrem uma ameaçadora forma de vida, que acaba atacando um deles. Logo alguns mistérios são desvendados e eles descobrem que se meteram numa encrenca mais complicada do que ficar sem dinheiro para pagar a conta do bar.


Começando pelo impactante slogan: “No espaço, ninguém ouvirá seus gritos” e com uma trilha sonora inspirada de Jerry Goldsmith, a primeira parte da franquia Alien apresentou para o público uma verdadeira mulher fatal, ao contrário dos exemplos dos filmes noir. Weaver certamente não é unanimidade no quesito beleza, mas sua personagem Ellen Ripley foi uma verdadeira heroína dos cinemas, mostrando que as mulheres poderiam ser bem mais que apenas as parceiras dos homens em filmes de ação e terror. Sim, terror, pois mais que uma ficção-científica ou um filme de ação como Aliens – O Resgate, de James Cameron, O Oitavo Passageiro mexe com o imaginário do público com eficiência e cria uma atmosfera tensa que até hoje consegue deixar o espectador sem ar.

Parte do sucesso do filme de Scott não está apenas no fato de Weaver desfilar de calcinha ou da lendária cena (muito imitada e parodiada) do xenomorfo saindo do peito de um dos tripulantes da espaço-nave Nostromo, mas sim na lição ensinada pela limitação técnica de Tubarão, de Steven Spielberg, e pela inteligência do roteiro. O monstro marinho de Spielberg estava sempre presente, deixando um clima crescente de tensão (participação excepcional da trilha sonora, vale lembrar) e a expectativa de que a qualquer momento alguém poderia morrer ou ele poderia aparecer completamente. (Para quem não sabe, o tubarão mecânico apresentou sérios defeitos durante as cenas e Spielberg e sua equipe tiveram que ir filmando as cenas antes de resolver o problema, por isso que ele só apareceu no final.) O monstro cabeçudo de Scott e do roteirista Dan O`Bannon respeita as regras acidentais de Tubarão e durante as duas horas de filme tortura o público e os personagens até, finalmente, revelar o monstro.

O suspense criado pelo roteiro faz o próprio espectador refletir sobre como seria encarar um “tubarão” dentro de uma nave. A ideia de saber que existe algo perigoso por perto e que não há nenhuma forma de escapar é capaz de deixar qualquer um desesperado. Até mesmo o pobre gatinho de estimação de um dos personagens. Scott e sua equipe fizeram uma preparação tão bem feita que os atores nem tiveram o trabalho de tentar fazer muito para convencer em cena. Além de Weaver, o elenco contava com John Hurt (O Espião Que Sabia Demais), Ian Holm (O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel) e Tom Skerritt, embora nenhum deles realmente fosse mais interessante que o antagonista vindo de outro planeta.

Injusto comparar O Oitavo Passageiro com a sequência Aliens – O Resgate. São dois filmes com propostas completamente distintas. Scott preferiu misturar a ficção-científica com o terror, enquanto Cameron sabiamente se aproveitou dos detalhes essenciais do filme anterior para adicionar novos e eletrizantes elementos, dando uma injeção de ânimo em Ripley e criando uma verdadeira guerra contra os aliens. Por toda a força da trilha sonora, a coisa de ter sido o primeiro, a cena do maldito alien explodindo o peito de Kane (Hurt), e especialmente pela feroz batalha do instinto de sobrevivência de duas espécies tão diferentes, O Oitavo Passageiro merece um lugar especial na estante de qualquer apreciador de filmes de terror.

 Nota:  

 

Leia também o texto de Wendel Wonka

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