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Crítica: A Bruxa de Blair

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Não há como se envolver com A Bruxa de Blair sem se deixar levar pela mitologia do longa. Apesar de sua filmagem ser feita como num documentário, não necessita-se acreditar nas lendas do terror vividas por suas personagens para envolver-se com elas, e talvez seja isso que leve muita gente a gostar menos do filme, por não aceitarem completamente a ideia de uma construção documental para vários eventos extremamente implausíveis serem mostradas na tela. Está certo que de uns tempos para cá surgiram diversos outros filmes que seguem esta abordagem, mas talvez nenhum deles procure um realismo tão grande quanto este.

Três jovens estudantes viajam a uma pequena cidade americana para filmarem um documentário sobre as lendas urbanas que se popularizaram nesta, entrevistando diversos moradores antes de se aventurarem à floresta Black Hill, onde grande parte destas lendas se passam. Inicialmente, suas ideias eram de apenas narrar quais são as lendas contadas no local, mas quando o tempo passa e eles continuam presos naquela floresta, o terror destas histórias será vivenciado por eles. Mas veja bem – voltando aqui a abordar a questão do envolvimento -, mesmo sem acreditar nestas lendas urbanas, é possível colocar-se no lugar do trio protagonista sem muita dificuldade, pois com uma certa coragem e curiosidade, fica difícil evitar pesquisar sobre uma lenda assustadora que você conheça, e isto pode ir desde uma simples pesquisa na internet até experimentar tentar encontrá-la na prática, o que foi exatamente o que os três tentaram. Mas a brincadeira acabou indo além do planejado.

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Assim como são três os estudantes que o protagonizam, A Bruxa de Blair tem três grandes qualidades que o destacam: a primeira e menos profunda, com a questão do próprio Cinema, já que os cinéfilos sem dúvida se identificarão ainda mais com este ânimo da protagonista Heather (Heather Donahue) em continuar o documentário mesmo com as adversidades, por seu sonho ser fazer o filme amador. Justamente daí, surge o segundo ponto, com o found-footage que sem dúvida o marca na história; e mesmo que não seja o pioneiro na técnica, sem dúvida A Bruxa de Blair o revolucionou – hoje em dia, a franquia Atividade Paranormal dificilmente existiria se não fosse pelo sucesso deste projeto aqui -, trazendo um realismo impressionante em sua abordagem, que sempre utiliza o recurso da câmera estar nas mãos de algum dos protagonistas para a montagem do documentário, logo, as filmagens continuam quando as situações inesperadas estão acontecendo, mas o interessante é que em quase nenhum momento da trama este recurso soa artificial, e nos introduz ainda mais a um clima de tensão pelos riscos ali passados – e conhecendo o fato que os atores não sabiam completamente do que ia ocorrer ali, o clima verdadeiro torna-se mais compreensível ainda-, sendo este realismo fruto da principal qualidade da projeção a que chegamos aqui, pois esta consegue gerar tensão através de seus recursos sem, em momento algum, precisar deixar explícitos os eventos que geravam o terror passado ali, sempre jogando somente algumas pistas, movimentos e as reações das personagens sobre isto, um grande mérito, ainda que não traga sustos grandes. Está certo que o longa utiliza alguns recursos um pouco falhos também, como exagerar na quantidade de depoimentos dos cidadãos para ganhar alguns minutos sem precisar aprofundar suas personagens, ou a questão da perda do mapa, que acaba sendo bastante conveniente, mas ainda assim é extremamente competente e, sem dúvida, inovador.

Imagino que esta questão do “documentário” tenha sido utilizada também como um bom marketing para A Bruxa de Blair, e não é a toa que o filme foi um sucesso comercial impressionante, ainda mais por trazer esta questão da busca por lendas urbanas macabras a realidade dentro de sua narrativa, algo que sempre funciona com o imaginário popular.

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Título original: The Blair Witch Project
Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
Gênero: Terror
Roteiro: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
Elenco: Heather Donahue, Joshua Leonard, Michael C.Williams
Lançamento: 1999
Nota:[tresemeia]

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