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Cujo

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Só mesmo uma mente insana como a do escritor Stephen King para criar uma história onde o vilão é o melhor amigo do homem. Cujo é um daqueles filmes que passavam uma vez por mês no Cinema em Casa do SBT e realmente assusta quando percebemos o tamanho besteirol que é a história. Onde foi que Stephen King estava com a cabeça quando resolveu estragar toda a aura de “cãopanheiro” do babão São Bernardo?

O filme conta a história de uma família que decide levar o carro para o conserto num mecânico que fica bem distante da cidade. O marido é um publicitário que tem que lidar com uma crise no seu serviço e a esposa adultera, está tendo um caso com o marceneiro. A criança é um clone loiro do filho de Jack Nicholson em O Iluminado e em sua primeira cena, já mostra que tem verdadeiro pavor do escuro. O pequeno Tad corre pelos corredores de sua casa, enquanto teme pelo “monstro” escondido dentro de seu armário. Tudo isso acontece com uma péssima trilha sonora, que infelizmente acompanha o filme inteiro.  O problema é que o cachorro do mecânico está com raiva e se torna no verdadeiro monstro dos pesadelos de Tad, matando e mordendo tudo que aparece pelo seu caminho.

Se tratando de Stephen King, tudo é possível. O cara já transformou um carro em assassino, por que não fazer o mesmo com um cachorro? Pelo menos é com um São Bernardo. Poderia ser bem pior se fosse um Chiwawa assassino e nenhum personagem conseguisse se livrar do bicho. A partir da metade final do filme, a ação se passa quase que inteiramente dentro do veículo amarelo da mãe de Tad. O cachorro persiste bravamente e mesmo com ataques kamikazes, é incapaz de invadir o carro e fazer novas vitimas. Fica até interessante ver a família indefesa, enquanto o cachorro espreita em silêncio pela próxima oportunidade de atacar.

A sequência inicial é fofinha. Um coelho selvagem pula pelo gramado despreocupado, até que um imenso cachorro São Bernardo surge e começa a persegui-lo. O espectador passa a ver pelo ângulo do cachorro insistente e decidido a capturar o almoço, ou seja, são cenas tremidas e rápidas, para dar aquela sensação de perseguição. No fim da busca, o então dócil Cujo enfia a cabeça dentro de um buraco lotado de morcegos e acaba sendo mordido. O restante do filme deixa bastante a desejar, bem como o amante da esposa e seu comportamento obsessivo no finalzinho. Cujo é um dos clássicos ingratos do cinema: ninguém assume que gosta e quem viu, finge que não se lembra. Como se fosse possível esquecer…

Esqueçam o Beethoven. Se algum dia você resolver ter um cachorro da raça São Bernardo, recomendo que assista esse filme e tire bem suas conclusões. Cujo é a prova de que nem sempre os cães são nossos melhores amigos. Vacinem seus bichos, hein?

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