Terror

Do Fundo do Mar

Ah, os filmes desmiolados…  O que seria do cinema sem certos blockbusters fabricados com a única intenção de entreter a mente e os corações daqueles que são fanáticos por ação e aventura na terra, no céu e e claro, no mar. Longas-metragem com um tubarão no papel principal não são novidades para ninguém desde que Steven Spielberg lançou Tubarão na década de 70 e revolucionou a forma de criar suspense e terror no cinema, aliando uma trilha sonora tensa ao mistério sobre o tamanho do “inimigo”. Desde essa aula gratuita, muitos roteiristas e diretores (até mesmo os que trabalhavam com vilões humanos) aprenderam a conduzir o espectador até o limite do suspense, tornando a revelação em um momento de climax pleno.

Infelizmente não foi o caso da turminha que trabalhou duro para levar Do Fundo do Mar para as telonas. Os tubarões geneticamente alterados não são “personagens” como no filme de Spielberg e nem mesmo desempenham com louvor o seu papel de vilões. Na produção estrelada por Thomas Jane, os dentuços (isso é familiar para alguém?) são apenas tubarões modificados geneticamente e programados para caçar e matar todos ao redor. Não fossem pelas táticas militares de destruir as câmeras do submarino ou pelo arremesso humano, o filme poderia acabar se saindo bem como uma diversão razoável. Mas a verdade é que Do Fundo do Mar é um filme tão desmiolado quanto a maquete que uma das cientistas usa em uma das cenas.

Criar tubarões mais inteligentes pode até não ter sido um grande problema, desde que os exageros fossem eliminados do roteiro, claro, se houvesse um pouco mais de preocupação com a forma de contar a história e levar o espectador junto do drama dos personagens. Infelizmente é impossível criar qualquer forma de identificação ou interesse por cada um dos cientistas que aparecem em tela. Justamente quando Samuel L. Jackson, o grande nome do elenco, começa um inflamado discurso sobre como os sobreviventes deveriam se unir e trabalhar em um bem comum, sem ficarem uns contra os outros, uma dessas criaturas de laboratório surge e engole o melhor personagem. Isso é quase tão sem graça quanto o fato de você ter lido esse spoiler sem ter visto o filme ainda. Mas não se desespere, a escolha de manter esse filme nas profundezas de sua locadora é acertada. Exceto se você for do tipo tarado por filmes de tubarão.

No caso, os efeitos especiais que deram origem ao visual e movimentação dos peixinhos gigantes são muito superiores às máquinas utilizadas pela produção de Spielberg em Tubarão. Óbvio que naquela época, foi o ápice da tecnologia. Se Spielberg conseguiu criar um ícone do terror e suspense com materais tão limitados, imaginem o que ele não faria se tivesse em mãos metade da tecnologia usada em Do Fundo do Mar? De qualquer forma, os efeitos especiais surpreendem e são (de longe) o melhor que existe na produção.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.