Crítica: A Bruxa, de Robert Eggers
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Filme: A Bruxa (2015)

a-bruxa-crítica-2016 Filme: A Bruxa (2015)

 

Não é tão assustador quanto o título parece indicar, mas é definitivamente um suspense que consegue pelo menos o nosso envolvimento com a história. Destacado pela fotografia e trilha sonora, A Bruxa (The Witch, EUA, 2015) segura o susto por um tempo considerável e, quando chega a hora, a casa cai.

Uma coisa que deve ficar clara em relação ao filme de Robert Eggers é que ele não é um terror que segue os passos das produções comerciais que estamos acostumados a ver, como A Bruxa de Blair (1999) ou A Entidade (2012). Temos uma bruxa? Sim e até podemos vê-la em uma ou outra cena. No entanto, a narrativa é bastante lenta e o processo de apresentação, desenvolvimento e, digamos, ataque da grande vilã leva um período considerável. Não que isso seja ruim, pois não é; é apenas uma observação que preciso fazer para evitar que você chegue na sala de cinema esperando um longa recheado de sustos e sangue e encontre algo bastante diferente.

Mesmo sem os toques clichês, A Bruxa chama nossa atenção ao tratar o seu conteúdo com paciência e com detalhes técnicos que ajudam a nos inserir naquele contexto específico. Temos uma família com cinco filhos, a qual é expulsa de uma comunidade por motivos religiosos e fica exposta ao viver em uma pequena casa de frente a uma floresta. Quando a criança mais nova desaparece após um feitiço da antagonista, a relação entre eles começa a se destruir, sobretudo no que diz respeito à Thomasin (Anya Taylor-Joy), filha mais velha do casal William (Ralph Ineson) e Catherine (Cate Dickie). Ela que tomava conta do bebê antes dele sumir e é a mais cobrada ali para ajudar em casa e cuidar dos irmãos.

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O roteiro mantém o mistério sobre a personagem-título até o final, momento em que entendemos tudo o que ela planejou e como atingiu a família aos poucos. O desenvolvimento dos personagens é feito minuciosamente, acompanhando os primeiros momentos felizes no novo lar, as ações gradativas da bruxa, a contaminação da família – em especial o filho Jonas (Lucas Dawson) – e os eventos que resultam no desfecho. É uma narrativa diferente para o gênero, mas que não falha, a meu ver, em nos envolver com o enredo; é interessante ver como os personagens são apresentados e como suas ações influenciam o que acontece no futuro.

Tecnicamente, a produção é impecável. A fotografia é bastante sombria e cinzenta, com pouquíssima utilização de luz, algo que deixa o cenário mais natural. Se não em engano, apenas em uma cena de sedução do pequeno Jonas que vemos uma cor mais quente, no caso o vermelho. A música também é essencial na ambientação com o filme; na verdade, ela é a característica que mais me arrepiou enquanto assistia ao longa (até descobrir as intenções da bruxa).

 

 

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.