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Crítica: A Morte Pede Carona (1986)

TUDO BEM QUE A MAIORIA DOS FILMES DE TERROR DA DÉCADA DE 1980 QUE FICARAM CONHECIDOS SÃO RUINS, mas tivemos excelentes momentos como em A Morte Pede Carona (The Hitcher, 1986), também conhecido como o “aviso da mamãe para não dar carona para estranhos”.

Quem é que nunca ouviu esse tipo de aviso da mãe ou do pai? “Não converse com estranhos na rua” é uma das coisas que os pais costumam repetir mais, mas parece que o protagonista do longa-metragem dirigido por Robert Harmon (que nunca mais tornou a fazer nada de destaque em sua carreira) teve pais irresponsáveis ou decidiu colocar em prática outro ensinamento comum: ajudar os necessitados. Afinal, ele está dirigindo numa noite fria e chuvosa, e é normal ter pena de quem está lá fora se molhando, certo? Então, o que nós aprendemos é que nossos pais são loucos com esses malditos conselhos contraditórios.

A Morte Pede Carona

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Jim (C. Thomas Howell) é um jovem que está dirigindo pela estrada e ao parar o carro para ajudar um estranho, entra numa jornada aterrorizante. Acontece que o estranho, John Ryder (Hutger Hauer), é um verdadeiro psicopata que coleciona as suas vítimas no meio da estrada.

Hauer certamente é um ator subestimado. Após se tornar o queridinho de Paul Verhoeven no cinema holandês, o ator (e o cineasta) iniciaram uma carreira proveitosa em Hollywood. Hauer teve o seu auge na pele do vilão de Blade Runner, mas faz um trabalho excepcional em A Morte Pede Carona. Digamos que sem a presença do ator, o longa-metragem não teria sobrevivido ao tempo e acabaria esquecido. Ao entrar em cena, Hauer espirra e já desmonta a tese de que vilões não podem agir como pessoas normais. Quem poderia imaginar um psicopata resfriado? Depois, ao fazer jus ao título do filme, Hauer é um demônio implacável que aparece sorrindo para mexer com a cabeça do coitado do Jim. E também com a nossa, como espectadores.

Fora a atuação de Hauer não existem outros atributos dignos de nota no longa-metragem. O roteiro é exagerado e bobo (como é que a polícia caiu na pilha de que um adolescente teria sido capaz de cometer aquelas mortes e ignorar os avisos dele de que outra pessoa era o verdadeiro responsável?), as atuações são medíocres (Jennifer Jason Leigh aparece brevemente como uma garçonete que acredita que Jim não cometeu nenhum assassinato) e existe uma tremenda falta de noção intrínseca ao cinema dessa época em praticamente todos os momentos importantes. Em resumo, é bem tosco.

Clássico da década de 1980, A Morte Pede Carona é um road movie que mostra aos espectadores como seria a mistura do gênero terror com Mad Max, de George Miller, e Encurralado, de Steven Spielberg. Mesmo sem ter a classe (para não dizer qualidade) das produções citadas, é um filme que merece a atenção dos fãs dessa década maldita.

A Morte Pede Carona está na nossa lista de 50 melhores filmes com psicopatas e também na seleção com as melhores obras lançadas em 1986.

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