Crítica de Jogo Perigoso: Viagra + Algemas = Combinação fatal
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Crítica: Jogo Perigoso (2017)

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O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Jogo Perigoso possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação. Ou seja, recomendamos que assista ao filme antes de ler o artigo a seguir!

poster-jogo-perigoso Crítica: Jogo Perigoso (2017)STEPHEN KING NUNCA TEVE UM ANO TÃO BOM QUANTO 2017. Apesar da série de O Nevoeiro ter sido cancelada logo no seu primeiro ano, o escritor de O Iluminado viu Andy Muschietti lançar uma releitura arrepiante de It: A Coisa (certamente um dos melhores filmes de terror de 2017) e agora o queridinho da vez Mike Flanagan comanda o sufocante Jogo Perigoso (Gerald’s Game, 2017). Lembrando que já tivemos A Torre Negra e nas próximas semanas será a vez de 1922. Que ano!

Enquanto consideramos lançar um conteúdo especial homenageando esse ano incrível para os fãs de King, é melhor retomar o foco desse texto e falar um pouquinho da adaptação da obra lançada originalmente em 1992.

Jogo Perigoso fala sobre um casal em crise que viaja para uma casa no meio do mato para tentar apimentar a sua vida sexual. O que deveria ser um final de semana de muita putaria, se transforma num verdadeiro pesadelo que faz Jessie tentar superar todos os seus traumas de vida para conseguir sobreviver.

Estrelado por Carla Gugino (Terremoto: A Falha de San Andreas), o longa acerta no ritmo em que a narrativa se desenvolve. Somos envolvidos lentamente enquanto criamos nossos próprios temores sobre a situação da moça e aprendemos uma lição muito importante: se decidir brincar com algemas, não use viagra. Ou mantenha as chaves por perto.

Um dos trunfos da produção está na atuação de Gugino. Jessie aos poucos vai se mostrando uma verdadeira guerreira. Somos levados ao seu passado para entender que a relação com o pai (incluindo um episódio lamentável de abuso sexual) influenciou bastante a sua relação com o marido. Como o próprio filme faz questão de explicar: as algemas que manteram Jessie presa na cama são uma metáfora para a prisão mental em que ela vivia.

Ao buscar superar o seu passado para garantir sua sobrevivência, Jessie encara seus traumas pela primeira vez e começa a encontrar forças para fazer o que é necessário. O evento do eclipse, tantas vezes retratado ao longo da trama, é um ponto chave. É como se o sol nunca mais tivesse brilhado para Jessie até aquele momento.

Como se não bastasse a tensão da situação toda, Flanagan ainda apresenta uma cena bastante gráfica que praticamente explode o nosso nível de angústia com a trama. Para se livrar das algemas, Jessie precisa mutilar a própria mão e o resultado disso é uma das coisas mais sinistras que você verá num filme em 2017. O diretor mostra que não basta simplesmente mostrar a mão sendo rasgada e a pele descolando, mas que toda a construção que levou para esse momento foi fundamental para causar desconforto no público.

Fora os traumas, Jessie ainda é obrigada a ver um cachorro devorando o corpo do marido – e ela sabe que em breve será a próxima opção do menu do bicho. Com classe, o cineasta optou por não mostrar em detalhes esses momentos. Até porque isso tiraria o impacto da cena da mão. Outro detalhe assustador é que a moça está incapaz de se defender e começa a notar que uma figura esquisita está à espreita. O filme não aborda muito essa questão, mas o tal esquisitão gostava de traçar defuntos masculinos. Nojinho define.

Flanagan vem se tornando um cineasta bastante ocupado e vem acumulando elogios em suas obras mais recentes, como Hush e Ouija, além de ter comandado O Sono da Morte. Para quem aprecia o gênero, esse é um daqueles nomes que vale a pena acompanhar e assistir todos os seus trabalhos. Não tenho dúvidas de que ainda seremos surpreendidos positivamente com seus próximos trabalhos.

Jogo Perigoso está disponível na Netflix e já aparece como um dos nossos candidatos a melhores filmes originais do serviço de streaming. Não precisa ser fã de Stephen King para apreciar esse suspense insano, mas caso você aprecie a obra desse autor, bem, acho que essa é uma obra obrigatória!

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.