Pânico

Difícil falar da importância de Pânico na história do cinema. Longe de querer dizer que trata-se do melhor filme de terror de todos os tempos, a verdade é que a trama dirigida por Wes Craven foi responsável por revolucionar o estilo de filmes de terror adolescente e deu origem a diversos “filhos” como Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, entre outros tantos que não merecem nem mesmo serem mencionados. Pânico popularizou o gênero e assassinos estripando e picotando adolescentes peitudas virou sinônimo de grandes bilheterias.

Mas ao contrário de todos os seus sucessores e de suas próprias sequências (que apesar de manterem o nível, não conseguem ser melhores que a parte original), Pânico tentou recriar a forma de fazer terror. Ao invés de usar um assassino sobrenatural como Jason ou Michael Myers, Craven e o roteirista Kevin Williamson escolheram usar um cara normal para personificar o temível Ghost Face (que é a forma como o assassino ficou conhecido). Essa decisão influenciou em diversos momentos em que o vilão leva socos e pontapés de suas vítimas e cai no chão, sentindo dor. Ou seja, em Pânico o mal é humanizado. Ele está sujeito a ser vítima e definitivamente, ele não vai sobreviver se levar um tiro na cabeça.

Essa humanização acaba rendendo bons momentos e também algumas sequências vergonhosas. Como é que uma garota pode dar tanta porrada em um assassino e mesmo depois de derrubar o sujeito, não é capaz de continuar batendo até poder fugir em segurança? Apesar de tentar causar mistério e dúvidas na mente do espectador à respeito da verdadeira identidade do assassino, fica quase que evidente que é um adolescente e esses jovens estudantes com a libido em ascenção, não deveriam ser capazes de causar terror.  Mas eles causam. A introdução de Pânico é simplesmente uma das minhas favoritas e Craven teve todo o cuidado de criar uma atmosfera tensa, contagiante e de muito suspense durante o breve período em que a atriz Drew Barrymore fica em cena. A sequência toda é recheada com um diálogo que passa de um simples trote (com a já clássica pergunta: “Qual o seu filme de terror favorito?”) para um verdadeiro pesadelo. Uma pena que a produção não conseguiu conciliar suspense com matança e não há mais nenhuma outra cena que consiga superar a abertura.

Pânico é um daqueles “clássicos” modernos indispensáveis para os fãs do terror. E se for o caso, abandonem o preconceito com filmes de suspense envolvendo adolescentes. Mesmo que a história seja bobinha e com grandes furos no roteiro, com atuações medíocres e mortes pouco inspiradas, foi esse o filme que moldou a forma de se fazer produções de terror no final dos anos 90. Vale lembrar que o responsável por isso é a mesma pessoa que inventou um certo personagem que invadia os sonhos dos adolescentes e seus penteados super descolados dos anos 80. Aliás, Pânico faz uma série de referências (ou seriam homenagens?) aos mais variados filmes de terror. Wes Craven sabia o que estava fazendo.

  • João

    é um bom filme, cumpre a proposta de entreter e assustar.
    mas importância pra história do cinema, acho que não hein?

  • 2T

    eu acho que sim. foi o filme que deu "moral" para o terror de novo…

  • Babi

    Antes de Pânico filme de terror era há muito tempo filme b, foi depois do sucesso de pânico que os estúdios voltaram a investir no gênero. E o Kevin Williamson teve um papel importante nesse momento, porque ele escreveu não só Pânico, mas também Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, Prova Final, Teaching Mrs. Tingle… e Dawson's Creek, mas isso não tem nada a ver com o assunto.

  • Rafael W.

    Adoro esse filme, me assustou pacas quando eu era criança!

    http://cinelupinha.blogspot.com/

  • Aline Monteiro

    Eu sou da turma que não curte filme de terror (basta, pra mim, o terror que eu tenho na vida mesmo). Mas adorei Pânico e Pânico 2. Principalmente pela zoação com as gags clássicas dos filmes de terror. Divertidinho.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.