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Terror na Água 3D

IMAGINEM SÓ A SENSAÇÃO DE IR AO CINEMA E ENCONTRAR A SALA VAZIA. No meu caso, uma risada irônica caiu perfeitamente para tornar o momento ainda mais especial. Claro que no caso de um filme pipoca como Terror na Água 3D, a sala vazia significaria uma experiência completa e sem o desagradável risco de ouvir pessoas conversando. Por outro lado, também senti a apreensão de lidar com uma produção que claramente ficaria abaixo das expectativas ou ainda pior.

De vez em quando me vejo numa posição complicada como editor do Cinema de Buteco, cujo casting se recusou completamente a assistir (imaginem escrever) sobre um filme 3D sobre tubarões. Pelo menos a minha equipe tem bom senso. A pessoa precisa ser muito desocupada para escrever sobre um filme desses (e desprovida de apego moral para assistir), mas esse é um daqueles filmes que precisam ser vistos em grupo, ainda que isso seja eufemismo para todo mundo se pegar antes da conclusão espetacular, quando um desses predadores sai da água e tenta assustar o espectador pela última vez. Quase como um pedido de desculpas safado do tipo: “fiz você perder seu tempo, mas muito obrigado pelo dinheiro. Nosso amigo tubarão quer se despedir, tchau”.

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Se pelo menos os efeitos especiais fossem bons o suficiente para justificar essa besteira do final com homenagem, mas nem isso. O 3D insiste naquilo de achar que o público geral gosta da ideia de ver um monte de destroços (ou carne de tubarão) voando em sua direção e entra para a categoria de produções que usam o recurso sem necessidade e apenas para lucrar em cima da nova possibilidade. A introdução, um apanhado de imagens vermelhas para causar o eficaz efeito de desnortear o espectador, afasta qualquer possibilidade de existir algo útil em Terror na Água 3D e você até paquera a saída de emergência, pois ficar sozinho num filme desses é sinal de que Murphy te odeia e tem um senso de humor estranho. Já os tubarões não deixam a desejar, ainda que visualmente não sejam tão superiores aos de Do Fundo do Mar, por exemplo. O legal é a variedade de espécies apresentadas no longa, o que já mostra que o roteiro se apoia na diversidade para tentar se tornar relevante. Bem, considerando que eu nunca vi um tubarão martelo no cinema (e nem pessoalmente, ok) , talvez o filme consiga esse reconhecimento.

David R. Ellis comandou Premonição 2 e 4, além de alguns outros trabalhos duvidosos. Sem dúvida, Ellis será lembrado eternamente por Serpentes a Bordo, aquele filme cult com o Samuel L. Jackson e… bem, várias cobras. Talvez seja um fetiche do diretor aproveitar todas as espécies existentes de um animal, sei lá. Vai entender esses caras. Basicamente ele agrupou um grupo de jovens sem graça numa casa afastada de toda a civilização. Sério que durante o trajeto dos personagens até a casa, eu jurava que um crocodilo iria aparecer na lagoa e devorar todos antes de completar a primeira meia hora de projeção. Infelizmente estava errado. O grupo de amigos acaba descobrindo que a lagoa está recheada de tubarões e então precisam conseguir sobreviver. Antes de algum espertinho sugerir “não entrem na água”, os tubarões tem “parceiros” humanos que fazem questão de fornecer o café da manhã, o almoço e a janta.

Os personagens do terror são fracos, verdadeiros clichês ambulantes, o que os transforma em imbecis insuportáveis, daqueles que você é incapaz de disfarçar seu lado sádico e fingir que quer esperar a hora certinha de vibrar com a morte de todos. Se tratando de um filme do responsável pela franquia Premonição, não é surpresa para ninguém que poucos sairão vivos da água. Como se não fossem mal escritos, ainda ganharam performances medíocres de um grupo de jovens e chatos atores. E preciso dizer que as atrizes e suas bundas magrelas foram uma grande tortura, quase tão fatal quanto brincar nessa pacata lagoa. Acho que fiquei mal acostumado depois da Kelly Brook, a peituda que nada pelada em Piranha 3D. Quando falo “peituda” não é com a intenção de ofender, mas a menina realmente tem uma comissão de frente generosa e ganhava a vida com eles, logo tenho a licença para dizer isso, caso alguém tenha se ofendido.

Mas nem mesmo a idiotice dos personagens (sério, me colocam sete adolescentes estereotipados e tudo que eles podem oferecer é o efeito colírio? Nesse caso, quase que exclusivamente para as mulheres) e os efeitos relativamente bem feitos, o que mais me deixou irritado (provavelmente porque estava sozinho e obrigado a assistir aquela merda sem ter a companhia da minha namorada, ex-namorada, ex-ficante, ficante, sei lá o nome que ela dá para isso) foi com o humor safado e presunçoso do roteiro. Absolutamente todas as piadas seriam matéria prima descartável até para um comediante que resolvesse se apresentar de sunga.

Triste fim triste tem os coitados dos tubarões. O filme se transforma no terceiro ato, deixando aquela impressão de que Terror na Água 3D importou os habitantes perturbados de O Massacre da Serra Elétrica e misturou com um fetiche maluco de criadores de animais exóticos. As pontas ficam soltas para uma possível continuação, onde provavelmente teremos uma explicação convincente para o fato de existirem tantos tubarões dentro daquela lagoa.

 

Título original: Shark Night 3D
Direção: David R. Ellis
Roteiro: Will Hayes
Nota:  

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