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Crítica: Deadpool

Ele veio em 2009 e foi um desastre total. Sete anos depois, a Marvel e a Fox mudaram isso e trouxeram à tela uma adaptação decente do hilário Deadpool (EUA, 2016). Com todo o humor, piadas e conversas com a plateia que eram esperados do personagem dos quadrinhos, Ryan Reynolds e companhia vão ganhar a franquia que merecem.

Como os créditos de abertura – sensacionais – avisam, os verdadeiros heróis da produção são os roteiristas, no caso Rheet Reese e Paul Wernick. Por mais que tenhamos alguns buracos em determinados momentos, a narrativa e, o mais importante, os diálogos, são ótimos. Por quê? A ordem não é cronológica; começamos com uma eletrizante cena de ação em uma ponte, depois voltamos ao tempo para entender como chegamos até ali, voltamos ao presente, ao passado de novo e tudo está explicado. Falando assim parece que é uma bagunça, mas não é não. Tudo bem que é muito mais divertido vermos Deadpool já transformado e não como Wade Wilson (Reynolds), mas é essencial entender sua história.

Deadpool (Ryan Reynolds) pauses from a life-and-death battle to break the fourth wall, much to the dismay of his comrades Negasonic Teenage Warhead (Brianna Hildebrand) and Colossus (voiced by Stefan Kapicic).

Agora, as melhores parte, de longe, são as conversas presentes na película. Sejam elas entre os personagens, sejam elas entre o protagonista e nós, elas são o grande atrativo da adaptação da Fox. O anti-herói nada mais é do que um tagarela apaixonado que não mede esforços para se vingar daqueles que o fizeram ser o que é e evitar que façam com outros o mesmo. Deixo claro: ele não é mau, mas também não é uma pessoa boa; ele é tão adorado por causa do seu carisma e humor, perfeitamente incorporados por Reynolds. Ele puxa a cueca de um, goza a calça marrom do outro e o nome de detergente do médico Francis (Ed Skrein), atropela um com uma máquina de gelo mesmo levando um bom tempo para fazê-lo…difícil não se contagiar com seu humor negro.

O universo dali é tão louco que as piadas misturam tanto aquele ambiente fictício quanto o mundo real em que vivemos. Temos a mutante Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand) que é constantemente comparada à Sinead O’Connor, a escola dos X-Men que somente possui dois alunos de Charles Xavier porque, segundo Deadpool, o estúdio não teve dinheiro para pagar os outros atores, referências a outros filmes e por aí vai. Sem contar as brincadeiras com o próprio Reynolds e os fracassos do Deadpool de 2009 e o longa do Lanterna Verde.

Sem isso eu duvido muito que teria gostado de Deadpool, admito; o que o torna o sucesso que é são as características do personagem central e como ele envolve os coadjuvantes. Pontos também para o diretor Tim Miller, que realizou um filme cativante, traduzindo em imagens essa personalidade hilária e tagarela de Wade Wilson. Provavelmente veremos essa mesma equipe trabalhando junta na continuação, já autorizada pelo estúdio. Mal posso esperar por ela!

OBS: tem cameo do fofo do Stan Lee e cena pós-créditos, fiquem atentos!

 

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.