Desenrola – o filme

“Aos 16 anos, Priscila se vê pela primeira vez sozinha em casa: a mãe viajou e vai passar 20 dias fora. É nesse curto espaço de tempo que sua vida passa por grandes mudanças e diversas “primeira vezes” acontecem. É também o tempo que ela terá para conquistar seu adorado Rafa e com ele ter sua primeira e mágica transa”.
Confesso logo de início que a primeira vez que vi a sinopse do filme e a logomarca da Globo Filmes como coprodutora, eu imaginei que veria um versão de Malhação para o cinema (as participação globais como Letícia Spiller e Pedro Bial, são pontuais e ate contribuem de forma divertida à trama). Fico feliz em ter ido com mente aberta, pois encontrei um filme muito diferente disso.
O filme gira em torno da romântica Priscila (Olivia Torres) que sonha ter sua primeira transa como o bronzeado e sarado Rafa (onde foi parar aquele Kayky Brito magricela dos tempos da novela O Beijo do Vampiro?), um garoto mais velho que provoca paixões nas meninas por onde ele passa. Porém, o caminho para ela conseguir seu desejo não é fácil. Entre encontros e desencontros Priscila precisa contar com a ajuda de amigos e “driblar” Boca (Lucas Salles), um garoto do seu colégio que é secretamente apaixonado por ela.
Nessa altura você (jovem adulto) deve estar se perguntando: por que ver um filme de adolescente? Bom, darei cinco motivos.
Primeiro. Porque Desenrola foge da armadilha de criar estereótipos. Conseguindo criar um retrato fiel das aspirações e de desejos dos adolescentes de hoje, ao mesmo tempo em que cria uma ligação com as gerações passadas (afinal, todo mundo já teve 16 anos um dia)
Segundo. Desenrola,  projeto da diretora Rosane Svartman (Mais uma vez amor e Como seu solteiro), propôs a participação do público, desde o roteiro (alterando e criando falas que fossem naturais aos adolescentes, e até contribuindo com idéias de fatos do cotidiano de cada um) até ao lançamento, fazendo uso das principais redes sociais.  O que faz com que o filme seja um retrato da Geração Y (aquela conhecida como geração da internet, que já nasceu conectada); que pode ser constado no filme ao vermos como itens como celular e internet são coisas que simplesmente fazem parte da vida dos personagens. Aliás, um ponto de mudança importante do filme e que faz com que o rumo da história mude de direção é justamente um vídeo gravado no celular que se espalha no youtube.
Terceiro. A abordagem sobre questões como romantismo; namoro x ficar; sexo, paixões; relações homoafetivas; traições e outros, de maneira leve e sem ser apelativa. E principalmente sem ter a intenção de dar lição de moral, já que todas essas questões estão no cotidiano dos jovens. Abrindo a oportunidade de uma discussão mais aprofundada sobre esses temas.
Quarto. O trabalho de Bruno Levison como diretor musical. Bruno é produtor cultural e criador do festival Humaitá Pra Peixe, e faz sua estréia cinema compondo uma trilha que une canções de artistas revelados pela internet como Agnela, Mallu Magalhães, Érica Machado, Yoñlu, Madame Machado, Playmobille; com sucessos do Rock do anos 80, como Paralamas do Sucesso (O menino e a menina), Ritchie (A vida tem dessas coisas), Legião Urbana (Quase sem querer, interpretada por Maria Gadu) e Simple Minds (Don’t you forget about me) – esta última com participação do vocalista Jim Kerr (via Skype). Uma combinação que embala o filme de forma muito agradável.
Quinto. Desenrola é um filme de verão. Cheio de cores alegres e recheado daquele humor leve que nos faz rir sempre que lembramos. E sim, é um filme para adolescentes, não só para os adolescentes de hoje, mas também para os de ontem, para que não se esqueçam de como é bom essa fase de inocência e aprendizado.

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