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Catfish

SE O CINEMA É A EXPRESSÃO ARTÍSTICA TIPICAMENTE MODERNA, A INTERNET É COM CERTEZA O TRAÇO QUE MAIS CARACTERIZA A CONTEMPORANEIDADE E SUAS RELAÇÕES. De perto, no mundo virtual, não somos nada além de pequenos pixels. Qualquer tentativa de conhecer alguém mais profundamente pode revelar surpresas. Se a questão sobre a realidade dos sentimentos envolvidos numa relação real já se faz pertinente, quando estamos numa perspectiva onde a profundidade das relações está fatalmente limitada aos contatos virtuais estas questões se fazem ainda mais presentes: sentimentos e até mesmo identidades podem ser questionados. O que se tem é aquilo que se acredita ter, aquilo sobre o que se faz uma projeção.  É sobre isso que fala Catfish.

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Sendo a princípio um documentário que tenta registrar a relação que o fotógrafo Nev Schulman mantém com uma menina que lhe enviara uma reprodução de uma fotografia sua publicada num jornal, a história se desenrola na medida em que o tal fotógrafo começa a participar, mesmo que virtualmente, da rotina da família da pequena garota: conversa com sua mãe, ouve músicas compostas por seu irmão, e (o dado que se torna o mote central do filme) apaixona-se pela irmã, Megan.


Como um documentário que tenta mostrar a realidade destes acontecimentos, Catfish é hábil quando consegue se deixar levar pelas reviravoltas, e dada a visão dinâmica dos realizadores que se adaptam e seguem juntos numa jornada em busca da verdadeira identidade desta família, não há como não se ver envolvido naquelas situações mostradas. A humanidade do filme está nesta relação próxima que existe entre os diretores e o personagem central – Nev, e na forma como ele se envolve com as descobertas que faz sobre a rotina de Megan, que (sem spoillers) não é aquilo que a princípio parece ser.

Como um retrato destas relações virtuais, Catfish funciona também como um espelho da vida real quando consegue emular as ansiedades e vontades que cada um de nós temos quando precisamos nos afirmar, ser vistos, nos encontrar em meio a este turbilhão de relações efêmeras com as quais convivemos. Se existe uma forma de criar realidades paralelas, as redes sociais são o palco ideal para que isto aconteça. E Se alguém já tem a tendência de criar tais realidades fora deste contexto, em que medida o mundo virtual pode potencializar isso? Assistam a Catfish e descubram.

Catfish (2010)
Diretores: Henry Joost, Ariel Schulman

 

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