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Na Cama com Madonna

Quem nunca?

(In Bed With Madonna) De Alek Keshishian e Mark Aldo Miceli.

Quando se trata de um artista, qual o limite entre o ego e a necessidade de expressar-se? Em que medida a carência afetiva é suprida com a orda de admiradores que o amam “mesmo quando ele está na merda”? E, uma ultima pergunta se faz, já se referindo à Na Cama com Madonna, documentário de 1991 sobre a turnê Blond Ambition (de 1990): porquê Madonna faz tanto sucesso?

Dona de um olhar técnico incomum nas maioria das artistas pop de hoje em dia (exceto Lady Gaga OI?!?!), Madonna parece estar a todo momento consciente de tudo: desde a produção até o relacionamento entre os membros de sua equipe. Tudo é por ela controlado. Em determinado momento ela mesma assume sua preferência por dançarinos emocionalmente frágeis, com os quais pode estabelecer uma relação materna. Madonna precisa ser amada, algo que não exita em afirmar.

A sensação que temos durante o documentário, dirigido por Alek Keshishian e Mark Aldo Miceli (e produzido por Madonna) é de que a artista em questão é uma mistura de impressões sobre si mesma: segura e artista responsável x garota mimada e imatura. Madonna gosta de ser vista. Será que o que vemos é o que ela quer que vejamos? Provavelmente a resposta é sim.

É inegável que é um filme interessante, pois satisfaz a necessidade voyeurística do espectador. Na época Madonna não era mais aquela garotinha de Holiday. Já tinha lançado Like a Virgin e a polêmica Like a Prayer. Madonna quer divertir e que fazer chorar. Quer trazer para o palco um choque entre os extremos. Levar seu público através de uma jornada, como ela mesma diz várias vezes durante o filme.

Não deixa de ter um valor diferente para os fãs, que vêem os números músicas sendo bem executados e filmados (a única parte colorida do filme, todo o restante é filmado num preto e branco granulado), além da vida pessoal de Madonna acontecer, na frente das câmeras: os conflitos com seu então namorado Warren Beatty (que definitivamente não aceitava o estilo de vida da cantora, sua necessidade de exposição), seu caso com um dançarino, sua atração por Antonio Banderas (com quem flerta descaradamente num jantar oferecido por Pedro Almodóvar quando da sua ida à Europa). E quando assume que a pessoa que mais amou na vida é Sean Penn.


Mas o que se destaca é realmente a Madonna artista. Perfeccionista ela não aceita menos do que o melhor, e qualquer pessoa que não saiba apreciar isto não merece seu respeito. Ela briga com os produtores por ter visto três fileiras de “engravatados” em um de seus shows (alegando que eles não estavam ali para se divertir), e faz careta para Kevin Costner quando este diz que seu show foi… jóia.

Ou no episódio em Toronto quando é ameaçada de prisão caso simule qualquer coisa que lembre masturbação ou orgasmo no palco (ao que ela responde cantando Holiday para os policiais e cospe no chão: “será que serei presa por isto?”, ela diz).

Registro interessante de uma turnê, não se sabe se Na Cama com Madonna mostra Madonna Louise Veronica Ciccone ou se ela se esconde por trás de uma personalidade que por mais que pareça o contrário, evita se aproximar demais dos que a rodeiam. É sempre uma sensação de dúvida entre o que é fake e o que é mesmo espontâneo. Não que isto seja importante: ver Madonna é sempre um bapho.

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