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Waiting for Superman

De sistema de educação falido, os brasileiros entendem. Talvez por isso seja tão fácil se envolver em “Waiting for Superman”, o documentário de Davis Guggenheim (“Uma Verdade Inconveniente”) . O longa faz uma análise da deficitária escola pública americana, a que se refere como “fábricas de fracassos”.

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As estatísticas são alarmantes. Colégios públicos de todo o país concentram uma assustadora porcentagem de alunos que têm escassos conhecimentos básicos de Inglês, Matemática e Ciências. Como seria de se esperar, a evasão escolar ajuda a complicar o quadro, agravado por professores acomodados a um sistema de efetivação quase instantânea.
No entanto, os números apenas servem de suporte para as histórias – e são elas o coração do filme. Da brilhante garotinha latina da periferia, passando pelo diretor da escola, ao pesquisador da universidade, todos querem o mesmo: melhores escolas. A educação é vista a todo o tempo como a ferramenta que é, capaz de mudar a realidade e proporcionar uma vida melhor.
Os pais que não têm condições de pagar uma escola particular para os filhos são a base emocional do documentário, que mostra a luta para conseguir, então, uma vaga nas melhores escolas públicas – elas são tão poucas e disputadas, que os novos alunos são selecionados através de um sorteio.
Informativo e emocionante, “Waiting for Superman” volta a trazer à tona a eterna discussão: se o investimento em educação fosse maior – como sistematicamente prometem os governantes – seriam menos jovens nas ruas e, consequentemente, nas penitenciárias. Além disso, como bem alerta Bill Gates, seriam mais novos talentos preenchendo as vagas de ciência e tecnologia, que estão em expansão e não são preenchidas por falta de profissionais capacitados.
Os personagens foram muitíssimo bem escolhidos. As crianças são adoráveis, os pais trabalhadores e honestos, os educadores com uma visão além de seu tempo. São eles que sustentam o longa, com declarações capazes de fazer refletir e até chorar.
Vale mencionar ainda “Shine”, a belíssima música tema de John Legend, que carrega também a mensagem de superação que o filme traz. Embora o realismo não tenha sido perdido, fica claro que é nas adversidades que surgem ideias criativas. Podem não ser a solução do problema, mas sem dúvida são um começo.

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