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A Felicidade Não Se Compra

AH, O NATAL! Com suas luzes brilhantes, neve e alegrias por todos os lados… Se hoje tem gente que não aguenta mais os filmes de Natal no cinema, na TV e até em peças publicitárias, a “culpa” é deste A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra. Aqui, a celebração cristã é pano de fundo para o drama de George Bailey (James Stewart), um homem muito bondoso e caridoso, de ótima índole, que vê seus esforços falharem e está prester a cometer suicídio. Enquanto ele está numa ponte, prestes a se jogar, dois anjos começam a conversar sobre a vida de George e tem início o que é considerado o maior flashback da história do cinema.

 

Os indícios de que a história é um contos de fadas estão todos lá, a começar pelos créditos iniciais, num livro em que páginas, enfeitadas com símbolos natalinos, são passadas. Um céu bastante animado, com nebulosas em polvorosa e o anjo de segunda classe Clarence (Henry Travers) conversam sobre George. Curioso que tudo começa com uma chantagem: Clarence pode passar a ser um anjo de primeira classe e ganhar asas caso faça um bom trabalho com George.

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George é tão bom que ficou surdo de um ouvido para salvar seu irmão, abriu mão de seu sonho de estudar e viajar pelo mundo para continuar cuidando do pequeno banco de empréstimos do pai. Ele ajuda todos os pobres e desvalidos da cidade. Duas mulheres estão a seus pés, Mary Hatch, a garota que ele adora, e Violet, um mulherão bem anos 1940. Ele se casa com Mary e, enquanto se prepara para sair um lua-de-mel, a firma quebra e ele precisa recomeçar do zero. É sempre assim: George abre mão de seus sonhos, de suas vontades para ajudar a quem precisa. Enquanto ele tenta contornar a situação da firma, Mary prepara a lua-de-mel numa casa abandonada, que será o lar dos Bailey. Enquanto George precisa lidar com o megaempreendedor Potter (Lionel Barrymore) – e ele fica sempre pequeno perto do banqueiro, Mary cuida da vida familiar e dos quatro filhos do casal. Até que, num plano arquitetado por Potter, George vê seu banco mais uma vez em apuros e quer desistir da vida. “Você vale mais morto do que vivo”, diz Potter, lembrando que George tem uma apólice de seguro de vida no valor de 15 mil dólares.

O filme também mostra um interessante “o que teria acontecido se…”. O anjo Clarence percorre a cidade com George mostrando a ele como seria a vida por lá sem a presença de uma pessoa tão altruísta. Tudo mudou, até o nome da cidade, que era Before Falls, passa a ser Pottersville. Parece a realidade paralela de 1985, em De Volta para o Futuro 2. Tudo é tão assustador que só resta ao bom George repensar seu gesto e voltar atrás. E a cidade, seus amigos, todos que ele ajudou preparam uma surpresa digna de uma apoteose de Natal. É a vitória da bondade, da compreensão, do amor. Todos aqueles bons sentimentos que, em teoria, devemos ter o ano inteiro mas que, obviamente, só lembramos nessa época do ano.

 

E os outros filmes de Natal, afinal? A Felicidade Não Se Compra teve seu copyright expirado, o que possibilitou circulasse livremente, quase que como uma obra de domínio público. Foi exaustivamente repetido na televisão americana durante o fim do ano e inspirou praticamente todos os filmes natalinos que vieram depois. É até um pecado um filme bacana desses ter legado ao mundo toda a bobagem natalina que vemos por aí.

A Felicidade Não Se Compra está na lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer.

 

Título original: It’s a wonderful life
Direção: Frank Capra
Produção: Frank Capra
Roteiro: Philip Van Doren Stern, Frances Goodrich
Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers
Indicações ao Oscar: Frank Capra (melhor filme); Frank Capra (diretor) ; James Stewart (ator); Willia Hornbeck (montagem); John Aalberg (som)
Lançamento: 1946

Nota:

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