Entrevista: Quentin Tarantino | Cinema de Buteco
Críticas de filmes

Entrevista: Quentin Tarantino

retirado de Mundo do Bido

Quentin Tarantino
“Desde cedo, entendi que seria muito amado ou muito odiado”, confessa Tarantino

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Como era de se esperar, muita gente ficou de fora da aula de cinema de Quentin Tarantino hoje no Festival de Cannes. Mesmo alguns jornalistas não conseguiram entrar – parte dos convites foram distribuídos com antecedência ao público, tomado em grande parte por estudantes e jovens dos 15 aos 25 anos.

O diretor de “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction” (Palma de Ouro em Cannes) e “Kill Bill” falou um pouco de sua carreira e comentou algumas das cenas de seus filmes. Tarantino eh o que se pode chamar de grande falastrão – começa a contar uma coisa, quase não respira, nunca faz pausas e só termina o assunto dez minutos depois, sem que ninguém consiga interrompê-lo. A seguir, algumas declarações – e ensinamentos – do mais pop dos cineastas:

“A RECEPÇÃO DO PÚBLICO”

Antes de dirigir meu primeiro longa, quando participava das oficinas de roteiro do Festival de Sundance, gente importante como Monte Hellman (roteirista) e Stephen Golblatt (fotógrafo) odiavam as minhas idéias, cenas com planos longos. Diziam: ‘essa cena é horrível, e o mais horrível é que você vai mesmo produzi-la’. Eu saia para dar uma volta, refletia, mas continuava gostando da idéia. No dia seguinte, eu apresentava a mesma cena para cineastas como Terry Gilliam, que adorava o que eu tinha escrito, ou Volker Schlondorff, que me chamava de gênio. “Desde então, entendi que as pessoas iriam amar ou odiar meus filmes, e era melhor me acostumar com isso.

“CÃES DE ALUGUEL”

Durante as filmagens de ‘Cães de Aluguel’, eu morria de medo de ser demitido pelos produtores. Primeiro, porque era tudo simplesmente muito bom para ser verdade. E segundo, porque nada tinha dado certo até então na minha carreira.

“PULP FICTION”

A cena em que Jules (Samuel Jackson) e Vincent (John Travolta) chegam à casa dos rapazes para ameaçá-los, e Jules comeca uma conversa bizarra sobre hambúrgueres, reúne três das coisas que eu mais gosto de fazer no cinema:
1) um ou mais personagens que dominam a situação dos outros em cena;
2) uma tensão entre os personagens que aumenta até explodir;

3) o trabalho de tornar engraçado algo que em geral não é. Se o espectador ri de alguma coisa muito estranha que eu encenei, ele se torna meu cúmplice.

“KILL BILL”

Sempre brinquei que esse é o filme que os personagens de meus outros filmes adorariam ver no cinema. Antes, eu tinha dirigido algumas cenas de ação, mas nunca um filme de ação completo, do começo ao fim.

“TRILHA SONORA”

Não consigo entender a idéia de terminar um filme, pagar alguém para vê-lo e criar uma trilha que não é sua. Penso a musica antes de tudo, às vezes uma música me dá a idéia de como construir seqüências inteiras. A vantagem do meu método é que trabalho com trilhas já prontas dos maiores compositores do mundo – Ennio Morricone, Lalo Schiffrin, John Barry – e não tenho nem que lidar com eles.

“AS INFLUÊNCIAS”

Gosto de muita coisa no cinema americano: Scorsese, Howard Hawks, Samuel Fuller, Robert Aldrich, Sam Peckinpah, George Romero. E uma série de italianos: Sergio Leone em primeiro lugar, e também Mario Bava, Dario Argento. Mas se há alguém que realmente me influenciou, que eu considerava um rock star do cinema, esse alguém era Brian De Palma. Até hoje me sinto inspirado por seus filmes. ‘Pecados de Guerra’ tem uma cena sublime de violência em que a ternura toma conta sem nos apercebermos. Tento seguir esses exemplos.

“A VIDA ANTES DE DIRIGIR FILMES”

É importante dizer que eu sempre fui cinéfilo, mesmo antes de trabalhar em locadora; contrataram-me justamente porque eu era um expert. Não descobri o cinema somente ao entrar na loja.

“DICAS PARA SER UM DIRETOR”

Faca o curso que quiser, leia os livros que quiser, veja os filmes que quiser. Mas não conheço exercício melhor para se tornar um cineasta do que arrumar um equipamento e tentar fazer um filme por conta própria.””Nunca entendi para que serve um curso de direção ou roteiro. Se você quer ser cineasta, recomendo um bom curso de interpretação. Nos exercícios em grupo, fique responsável pela cena, comece a agir como um diretor. É pelo ponto de vista do ator que a gente constrói o nosso cinema.”

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.

Comentários

  1. não tenho comentado aqui, por uns bugues que tavam dando na minha conta do blogspot…

    e eu não terminei de ler esse post, mas vou terminá-lo porque me interessou muito, afinal… tenho entre 15 e 25 anos, né? ahuahauha

  2. Algumas parte já tinha visto,mas mesmo assim esta bacana mais!
    "Não descobri o cinema somente ao entrar na loja."