Estômago | Cinema de Buteco
Críticas de filmes

Estômago

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NADA CONTRA CIDADE DE DEUS OU TROPA DE ELITE. Nada mesmo: Cidade de Deus ainda é meu filme brasileiro preferido e Tropa de Elite conseguiu a proeza de tornar bordões e personagens mais conhecidos do povão que uma novela das oito. Mas é sempre bom quando o cinema tupiniquim consegue sair um pouco do eixo favela-sertão e explorar outros temas, como em O Homem Que Copiava, O Cheiro do Ralo ou esta bizarra experiência gastronômica chamada Estômago.

Estômago é uma espécie de Ratatouille brasileiro. No lugar do rato, entra Raimundo Nonato (atuação inspirada de João Miguel), imigrante nordestino que chega à cidade sem lenço nem documento e arranja um emprego num boteco de quinta. Suas coxinhas e carnes de panela chamam a atenção de um dono de restaurante e é na cozinha repleta de italianos que Nonato vai aprender as artimanhas da culinária, os truques obscuros da gastronomia e, claro, alguns impropérios em língua estrangeira.

Dirigido pelo estreante Marcos Jorge, o filme alterna as cenas do aprendizado de Nonato com sua vida na cadeia – não se explica muito bem porque ele está ali, nem quando está ali. Encarcerado numa cela com hierarquia bem definida, Nonato precisa provar o seu valor
e para isso faz de tudo, até serve formiga frita como tira-gosto. Como o Remy da animação da Pixar, ele não tem preconceitos culinários – sabe que uma gororoba bem preparada muda de cara e melhora o gosto. Curiosamente ele também compartilha outras características com o rato, como a predileção pelo alecrim e a capacidade de comandar com êxito uma equipe de ignorantes culinários. A eloqüente fala de Anton Ego no final da animação ganha ainda mais força quando vemos reconhecidos os esforços de Nonato: “Nem todo mundo pode se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar“. Mas fica o conselho: grotesco e sem muito pudor, Estômago não é pros pirralhos nem pros frescalhões – é só pra quem tem… ah, você entendeu.

Estômago
Ano de Lançamento (Brasil / Itália): 2007
Estúdio: Zencrane Filmes / Indiana Filmes
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito
Produção: Cláudia da Natividade, Fabrizio Donvito e Marcos Cohen
Elenco: João Miguel (Raimundo Nonato), Fabiula Nascimento (Íria), Babu Santana (Bujiú), Carlo Briani (Giovanni), Zeca Cenovicz (Zulmiro), Paulo Miklos (Etcétera)

Lucas Paio

Lucas Paio é mineiro de Belo Horizonte, passou quatro anos na China e desde 2013 vive em Berlim, onde passa o tempo livre no cinema (os poucos que exibem filmes sem dublagem em alemão) e conhecendo a cerveja, digo, a cultura local.

Comentários

  1. vale a pena incrementar o comentário de uma antropologa,q vi a respeito do filme…
    ela diz sobre a importância da comida no filme q ganha significados diferentes dependendo das situaçoes que os personagem se deparam com o transcorrer da trama…
    ainda n vi o filme mas ele foi premiadissimo em varios festivai…to curiosissima!!!
    e jao miguel…espetacular!!! q ainda n viu “urubus, cinema e aspirinas” (se n me engano o nome eh esse…sou péssima pra nomes..)
    , “mutum” e “deserto feliz” com ele …vale a pena!!

  2. Olás!
    Acompanho o blog de vocês e tive que comentar esse post! Muito bacana mesmo! As vezes o filme faz o post, outras vezes, o post precisa fazer o filme. Porém, este parece aliar as duas coisas: um filme curioso e um post muito bem escrito. Suave, direto, divertido. Um trabalho legal o de vocês. Pra quem não sabe o Blog do Noblat começou assim, e hoje… vocês sabem.

    Até os próximos posts!!

    Abraços,
    Lorena – 4º período – Comunicação Social – GCI.