Crítica: Brooklin, de John Crowley
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Filme: Brooklin

Oscar 2016 - Brooklyn

Oscar-2016-Brooklyn Filme: Brooklin

No fundo, Brooklin (Brooklyn, Irlanda/EUA/Canadá, 2015) nada mais é que uma história de amor ambientada nos anos 50, a qual deixa uma jovem imigrante em dúvidas sobre qual é o seu verdadeiro lugar: a Irlanda, onde sua família está, ou os Estados Unidos, com uma nova vida e círculo social. A premissa pode ser comum, mas é em sua simplicidade e performances doces que o filme de John Crowley nos conquista.

Tudo neste romance é bastante delicado, como o figurino, diálogos, os leves toques de humor e as atuações. Desde a decisão de Eillis (Saoirse Ronan) de partir, sua chegada aos EUA, dificuldades e adaptação, até seu retorno à Irlanda, não temos brigas, gritos ou choro atrás de choro. A adaptação é bastante leve de maneira geral, tendo os momentos extremamente dramáticos guardados para cenas específicas. Quando eles não acontecem, acompanhamos a aventura da protagonista em Nova York, onde passa por problemas inicialmente, mas encontra o amor no italiano Tony (Emory Cohen).

A personagem central é uma jovem ingênua e infeliz em sua cidade natal, mas quando tenta seguir seus sonhos conseguimos ver sua transformação claramente. Se antes ela trabalhava mal e vivia deprimida por causa da saudade da família, depois que conhece o charmoso rapaz o amor a faz se sentir melhor. Nada que nunca tenhamos visto antes em uma história, mas a maneira como vemos tudo isso acontecer, gradualmente, é muito gostosa, natural, portanto, funciona perfeitamente. É muito difícil não se envolver com a jornada de Eillis e a construção do seu relacionamento com Tony e sua engraçada família em Nova York.

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Acho que a única parte que estranhei um pouco foi a volta dela ao seu país, onde reencontra uma antiga amiga e tem uma conexão com o rico e generoso Jim (Domnhall Gleeson). Ela já não é mais a mesma, tanto psicologicamente quanto fisicamente, então, a sua imagem mudar para quem está à sua volta é bastante plausível. Porém, não entendi a recaída dela, foi tudo rápido demais e difícil de entender suas atitudes até que finalmente toma sua decisão final (certa, a meu ver).

Os demais personagens são muito bem inseridos no enredo, com destaque para a rígida Madge Kehoe (Julie Walters), Sheila (Nora-Jane Noone) e Tony. O carisma do último e sua química com Ronan são um dos motivos pelos quais é tão fácil de se apaixonar por Brooklyn. Mesmo sendo uma história comum, o casal está tão sutil em suas cenas que eu, que tenho problemas com altura, não dei a mínima para o fato de Ronan estar sempre mais alta que Cohen na tela.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.