Crítica: Capitão América: Guerra Civil (2016)

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL TINHA UMA MISSÃO PARA CUMPRIR e não era das mais simples. Afinal de contas, considerando que agora vivemos um momento inédito em que Marvel tem a concorrência da DC nos cinemas, o longa-metragem precisava atender as mais variadas expectativas: ser a adaptação de um dos arcos de histórias mais incrível da editora nos últimos anos, superar os filmes anteriores, apresentar o Homem-Aranha e ainda ser muito melhor que Batman vs Superman.

Para começo de conversa: Guerra Civil supera Batman vs Superman. A obra consegue ser melhor até que Deadpool, ainda que perca no quesito inovação e novidade. O mérito do sucesso é todo da equipe criativa liderada por Anthony e Joe Russo, que mesmo longe de serem geniais, conseguem atender bem os desejos do estúdio. Não é a toa que a Marvel garantiu os irmãos na direção dos próximos dois filmes dos Vingadores. Outra dupla também merece reconhecimento: os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely, que escreveram Thor 2 e todos os filmes do Capitão América.

Aliás, o quarteto dá uma verdadeira aula para Zack Snyder e seus roteiristas Chris Terrio e David S. Goyer de como trabalhar com duzentos personagens sem que isso prejudique a narrativa ou os arcos de história individuais de cada um. Óbvio que a situação da Marvel é extremamente confortável, enquanto a DC precisa lutar contra o tempo para começar a estabelecer o seu universo nas telonas. É uma comparação injusta, mas que não poderia deixar de ser comentada.

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Mesmo com um produto de muita qualidade (facilmente na lista de melhores filmes de ação de 2016), os irmãos Russo ainda não superaram as imposições do estúdio para evitar que todas as obras pareçam ser dirigidas pela mesma pessoa, o que dá uma impressão de que o cinema da Marvel é uma série de TV pré-Lost. Como cinéfilo e amante da sétima arte, me sinto decepcionado sempre que assisto a uma obra que consegue me divertir tanto, mas ao mesmo tempo não acrescenta nada. Guerra Civil é um ponto fora da curva em relação ao material anterior, mas não escapa de ser mais um produto com o selo de limitação criativa Marvel.

Antes de falar sobre alguns detalhes com spoilers, quero destacar a participação do trio William Hurt, Daniel Bruhl e Martin Freeman. O primeiro retorna na pele do general Ross, desafeto do Hulk e agora comandando o projeto responsável por limitar as ações dos “vigilantes perigosos” conhecidos como Vingadores; Bruhl vive Zemo, um dos grandes responsáveis pela série de eventos que movem o longa-metragem; e por último, Freeman entra em cena durante breves minutos, mas é o suficiente para se tornar marcante no filme. O cinismo do seu personagem é incrível! Temos muita vontade de socar a cara dele, mas depois nos pegando rindo dessas mesmas coisas que tanto incomodou na sua primeira cena.

Capitão América: Guerra Civil está no topo da lista de melhores produções Marvel de todos os tempos. É uma obra recheada de cenas de ação (são muitas cenas de pancadaria e surpreendentemente, isso não afeta o desenvolvimento da história) e com um grande teor político/dramático que provavelmente encantaria todos os críticos do mundo, caso não estivessem presentes num “filme de super-herói”. Para todos os fãs de cinema de ação de qualidade, não deixem de assistir o quanto antes!

PS: Vi a versão 2D e dou minha opinião de que para uma obra tão colorida, e sem momento algum em que o 3D possa dar a impressão de fazer a diferença, foi a melhor opção. Então não se preocupem em gastar mais para ver em 3D porque a versão tradicional se garante.

Critica Guerra Civil 2

Em breve atualizarei com a parte de spoilers do texto!

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.