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Filme: Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi

Como Sobreviver a um ataque zumbi

ZUMBIS NUNCA FICARÃO CHATOS. Mesmo quando aparecem em filmes bobos voltados especialmente para jovens do sexo masculino ainda é possível se divertir e encontrar graça com um roteiro que tem a ousadia de fazer piadas de peidos e dor de barriga. Para se ter uma ideia do que esperar de Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse, 2015), de Christopher Landon, basta imaginar o resultado da mistura de Zumbilândia com Superbad – É Hoje e escoteiros. Simples assim.

Um trio de escoteiros descobre que o mundo “acabou” enquanto eles montavam o seu acampamento para o final de semana. Decididos a resgatar outros jovens que foram deixados para trás no plano de evacuação da cidade, o trio recebe a ajuda de uma stripper para vencer os zumbis e salvar o dia. Basicamente, e sem dar spoilers, essa é uma ideia do que você encontrará na obra.

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Antes de reclamar que o roteiro não faz a menor noção, vou dizer que gostei e ri bastante ao longo do breve tempo de duração do filme. No entanto, confesso ter sentido muita dificuldade de me envolver com esses personagens por causa da indecisão do roteiro em estabelecer seu tom. Fica claro que ele vai partir para o besteirol, mas qual o nível disso? Até onde devo levar a sério a lógica interna da série (que é bem questionável, já que é óbvio que governo de país nenhum conseguiria realizar um plano imenso de evacuação em poucas horas; como ninguém sentiria falta dos adolescentes desaparecidos?) e abraçar 100% a suspensão da descrença (e incluir aquilo que vi como defeitos no roteiro) para mergulhar nessa aventura sem noção?

A comparação com Superbad é justa, já que existem conflitos na amizade dos três protagonistas e o interesse romântico de um deles numa garota que pode não estar nem aí para ele. O “gordinho” de Como Sobreviver a um Ataque Zumbi seria o equivalente de McLovin, exceto pela parte dele ser um eterno virgem assexuado. A dinâmica de Ben (Tye Sheridan) e Carter (Logan Miller) é parecida com o que Michael Cera e Jonah Hill protagonizam naquela que é uma das melhores comédias dos últimos anos. Já a comparação com Zumbilândia seria um tanto óbvia pelos zumbis, mas encontra reforço ao mostrar a stripper como uma garota bastante preparada para acabar com qualquer ameaça e na própria maneira bem humorada que os mortos-vivos surgem em cena.

Imagino que a cena em que nosso protagonista recebe um treinamento especial seguido de uma ordem possa deixar uma parcela do público mais interessada em criar problemas do que entender que é só uma história adolescente irritada. Ao dizer “na próxima vez que encontrá-la, não diga nada e chegue beijando”, é como se houvesse uma indução à agressividade, quando é nada mais que uma dica para uma pessoa insegura e que só não tomou atitudes antes por medo, já que é certo que a garota em questão gosta dele.

Como Sobreviver a um Ataque Zumbi cumpre o seu papel de ser uma aventura zumbi com humor sem noção. Ao contrário do que acontece em Superbad e Zumbilândia, não é fácil se apaixonar pelos protagonistas do filme e isso acaba sendo um grande problema, mas nada que impeça a nossa diversão, sustos (sim, e numa cena muito óbvia) e risadas. Essa é uma autêntica “sessão da tarde” que a televisão nunca teria coragem de exibir.

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