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Crítica: Copycat – A Vida Imita a Morte (1995)

Copycat critica

UMA DAS MELHORES COISAS DE COPYCAT – A VIDA IMITA A MORTE (Copycat, 1995) é aquela impressão de que estamos assistindo a mais uma aventura da agente Clarice Starling (Jodie Foster) em O Silêncio dos Inocentes. Nem chegamos a lamentar realmente a ausência de Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) porque estamos diante um serial killer que prende a nossa atenção e uma premissa igualmente atraente.

No entanto, o grande defeito do longa-metragem é uma direção capenga de Jon Amiel (O Núcleo – Missão ao Centro da Terra), que parece não ter uma noção de ritmo e condução de elenco, sem falar que existe um quê de produção feita diretamente para a televisão. Existem bons momentos em que ficamos apreensivos, mas são lapsos de inspiração no meio de uma obra irregular.

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A trama acompanha uma doutora especializada em psicologia criminal (Sigourney Weaver), que é atacada por um serial killer e fica traumatizada sem conseguir sair de casa. Um ano depois, crimes violentos intrigam a polícia e uma detetive baixinha e invocada (Holly Hunter) busca a ajuda da especialista em serial killers para encontrar o assassino.

O assassino de Copycat é um jovem branco, com idade entre 25-35 anos e bonito, o que segundo o roteiro é o perfil dos assassinos seriais reais. Ele estudou os métodos com que os principais assassinos cuidavam de suas vítimas e passou a colocar isso em prática, numa espécie de homenagem macabra para cumprir um objetivo. E a parte mais assustadora é que ele não passa de um peão nas mãos de uma mente ainda mais perversa.

Não há cenas de violência gráfica explícita. O foco aqui é deixar o vilão obscuro e trabalhar com a psicologia e os conflitos dos protagonistas, como a síndrome do pânico da personagem de Weaver, a relação da agente com o seu parceiro e o ciúme do seu ex, a desconfiança inicial da policial em confiar numa médica claramente debilitada etc.

O grande momento de Copycat está no seu plano final, um super close na expressão de Daryll Lee Cullum (Harry Connick Jr.). Esse momento desconfortável faz os espectadores serem obrigados a encarar os olhos vazios e malignos do psicopata, ao mesmo tempo que deixam os mais ansiosos imaginando por sequências para descobrir se ele algum dia conseguirá a sua vingança.

Além de ser uma sombra fraquinha de O Silêncio dos Inocentes, Copycat foi lançado na mesma época em que outro filme de psicopata estava fazendo muito sucesso: Seven, de David Fincher. Uma pena que, mesmo com seus acertos, a produção estrelada por Sigourney Weaver esteja tão abaixo das duas obras mencionadas. Recomendado especialmente para fãs do tema filmes com psicopatas, afinal não é sempre que uma ficção usa tão bem a realidade para basear o seu roteiro e mexer com a curiosidade do público.

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