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Crítica: Encaixotando Helena (1993)

ENCAIXOTANDO HELENA É UM BELO EXEMPLAR DE FILMES SOBRE AS DIFERENÇAS ENTRE AMOR E POSSE. Dirigido pela desconhecida Jennifer Chambers Lynch, a obra é estrelada por Julian Sanders, um irreconhecível Bill Paxton (Aliens e Titanic) e pela provocante Sherilyn Fenn (Twin Peaks). Para os cinéfilos de plantão, a obra está bem longe de ser considerada indispensável e seu mérito é quase que unicamente em servir para ilustrar exemplos de personagens possessivos no cinema.

Nick (Sanders) é um médico com sérios problemas psicológicos (causado pela rejeição materna) e é incapaz de lidar com o sexo oposto de uma maneira saudável. Obcecado com Helena (Fenn), ele dá um jeito de aprisionar a ruiva sensual dentro de sua mansão e faz cirurgias para arrancar seus braços e pernas. Tudo isso para que ela nunca fuja e passe a depender dele para sobreviver.

Se você já se relacionou com algum (a) stalker na vida, aposto que sentiu um verdadeiro frio na espinha e uma sensação de alívio tremendo por nunca ter ficado à sós com um (a) possível maníaco (a). Depois de Atração Fatal, com Michael Douglas e Glenn Close, pensava que não poderia existir nenhum exemplo mais doentio de romance, mas me enganei. Acontece.

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Pode ser uma viagem da minha cabeça, mas enxerguei uma referência ao clássico Pacto de Sangue, de Billy Wilder, quando Nick tem uma lembrança de sua mãe surgindo loira e nua próxima do corrimão da escada. Caso não seja proposital, bem, a cena é boa de todo jeito e explora um pouco da complicada relação que o personagem tem com a figura feminina, o que vem desde sua infância quando flagrou sua mãe decorando a cabeça do pai.

O melhor momento de Encaixotando Helena é meio que um fetiche pessoal, então pode ser que a maioria dos espectadores não compartilhe minha opinião. Na cena de sexo com ambiente mais brega de todos os tempos (claro que existe um motivo para todas aquelas velas ao redor da sala e irei explicar logo mais), Nick contrata uma prostituta para satisfazer seus instintos. Ele fica completamente nu, e ela continua usando apenas uma bela lingerie. Nick a deixa apoiada numa mesa de bruços, e simplesmente puxa a calcinha dela de lado antes de iniciar a penetração. Um detalhe sutil do cena, mas que fez TODA a diferença e fui capaz de ignorar as velas e a música ruim. Por alguns segundos, claro.

A trilha sonora parece ter sido encomendada de algum anúncio publicitário de motel, de tão ruim. Um filme perde muitos pontos quando usa uma música genérica e pouco inspirada. Ainda não sei a resposta para essas escolhas, mas imagino que seja para economizar dinheiro. No entanto, somos presenteados com “It Ain’t Over ’til It’s Over”, de Lenny Kravitz, e “Woman In Chains”, do Tears For Fears, em uma determinada cena, quando Nick escala uma árvore para observar Helena tomando vinho semi-nua.

Bill Paxton está absurdamente ridículo na sua caracterização do badboy Ray. Os produtores estavam muito chapados quando consideraram escalar o ator para um personagem caricato e que está totalmente afastado de toda a atmosfera criada pelos outros personagens. Tudo bem que ele pelo menos é tão brega quando tudo que é visto ao longo de Encaixotanto Helena, mas é chocante demais ver o ator usando uma calça de couro e se comportando como um maníaco sexual. Sem dúvida, uma das piores escolhas do agente de Paxton.

Como estudo de personagem, Encaixotando Helena é um belo exercício. Pena que isso é muito pouco para elogiar a produção, que possui diversas falhas e poucos motivos de orgulho. No entanto, considerando que todo mundo aprecia assistir a filmes sobre histórias de amor doentias, o filme deverá agradar aqueles que estão interessados especialmente em mergulhar em tramas sobre relacionamentos possessivos.

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