Crítica do Filme: Gladiador, de Ridley Scott
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Crítica: Gladiador (2000)

O nosso especial com a filmografia do cineasta Ridley Scott chega ao fim com uma crítica do premiado Gladiador. Veja aqui todas as críticas publicadas.

Gladiador Crítica: Gladiador (2000)

MUITOS LEITORES BRIGARAM COMIGO QUANDO PUBLIQUEI MEU TOP 5 PESSOAL COM OS MELHORES FILMES DE RIDLEY SCOTT. O motivo foi a ausência de Gladiador (Gladiator, 2000) no ranking. A comoção me deixou curioso para buscar entender o que torna esse longa-metragem tão querido e especial para os espectadores. Inclusive, quando anunciamos em novembro de 2015 que teríamos uma cobertura completa da filmografia de Ridley Scott choveram pedidos para falar do vencedor do Oscar de Melhor Filme na cerimônia de 2001.

Gladiador é um épico que retomou o interesse de Hollywood por produções do gênero e influenciou Alexandre, Troia, dentre outras obras. O faturamento elevado provou para os executivos que esse tema poderia render boas bilheterias, mas a verdade é que nenhum sucessor de Gladiador conseguiu repetir o seu sucesso. Curioso notar que o próprio Ridley Scott filmou Cruzada cinco anos depois e conseguiu superar boa parte dos méritos do seu maior sucesso, especialmente se tratando das complexas coreografias das batalhas. Longe de dizer que o trabalho de Nicholas Powell (Coração Valente) na coordenação das lutas de espada tenham sido fracos, mas Cruzada foca mais nas estratégias do que no campo de batalha. Mas ainda assim não dá para encontrar uma resposta para esse amor por Gladiador.

Seria o encaixe perfeito de Russell Crowe no seu papel mais famoso? Não há como negar que Crowe dá a sua alma para o guerreiro Maximus. A interpretação foi tão pesada que o ator carregou a sombra do personagem durante muitos anos e isso abalou consideravelmente o seu desempenho em Robin Hood, também dirigido por Scott. Para muitos, a nova versão do Príncipe dos Ladrões era apenas uma espécie de continuação das aventuras de Maximus. Em Gladiador, o protagonista é um homem respeitado por todos por sua liderança e honestidade. Após a morte do Imperador, Maximus é traído e deixado para morrer. Mas ele sobrevive e parte em busca de sua família apenas para descobrir que o vilão mandou soldados queimarem a sua vila e todos que lá estivessem. Consumido pela raiva, Maximus jura vingança e ganha a admiração de toda a Roma por suas ações dentro do lendário Coliseu. Essa fama faz com que ele se torne mais poderoso que o Imperador. Será que é esse nosso complexo de gostar sempre dos injustiçados que torna Gladiador especial? Pode ser.

Mesmo sendo uma obra sobre vingança acima de tudo (não tente dizer que é sobre justiça porque não é), Maximus consegue manter o espectador ao seu lado porque está lutando contra uma representação perfeita do mau. Interpretado de maneira brilhante pelo genial Joaquin Phoenix, Commodus é um vilão perfeito. Invejoso, ganancioso e desprovido de qualquer escrúpulos, ele não se acanha em matar o pai ou demonstrar sentir tesão pela própria irmã e explicitar seu fetiche descontrolado por violência (ao trazer de volta os jogos dos gladiadores que haviam sido banidos por seu pai no passado). A caracterização de Phoenix faz com que o espectador comum facilmente sinta desprezo e repulsa pelo personagem. Mesmo com um vilão tão especial, acho que ainda não é isso que fez a fama de Gladiador.

Pode-se elogiar muito o material musical composto por Hans Zimmer, que recebeu uma indicação ao Oscar. Os temas são envolventes e dão aquele detalhe essencial para fortalecer a imersão do público na trama. Em muitas oportunidades escrevi que um longa-metragem precisa de uma trilha sonora marcante para se tornar especial. Gladiador atende esse requisito.

Provavelmente a resposta para descobrir esse amor com Gladiador é muito pessoal, mas certamente passa por alguns desses pontos que destaquei ao longo desse texto. A verdade é que Ridley Scott é um grande cineasta e sabe contar uma história muito bem (exceto, talvez em O Conselheiro do Crime). Gladiador tem um herói carismático numa jornada para buscar a sua redenção, um vilão nojento, uma donzela em uma situação de risco, elementos cativantes (vingança, traições, superação, honra, amizade, respeito etc), uma trilha sonora com forte presença, belas coreografias para as lutas, e principalmente: um cara competente na cadeira de diretor. Sem ele, nada disso seria possível.

Clássico do cinema moderno e uma das principais obras da carreira de Ridley Scott (mesmo não fazendo parte do meu ranking de cinco favoritos), Gladiador é um filme indispensável para os cinéfilos e apaixonados por boas histórias.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.