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Filme: Hitman: Agente 47

O Cinema de Buteco adverte: o texto a seguir possui (pequenos) spoilers e deverá ser apreciado com moderação.

Crítica Hitman Agente 47

Adaptações de jogos de videogame são um desafio no cinema. É difícil achar uma que encante os fãs ou que faça um enorme sucesso nas bilheterias. Talvez Resident Evil seja a única franquia que realmente deu certo, com cinco filmes lançados até agora. Este ano, chegou a vez de Hitman: Agente 47 (Hitman: Agent 47, 2015) tentar a sorte nas telonas. A produção comandada por Aleksander Bach não respeita completamente o material original, mas não deixa de ser um ótimo filme para os fãs de ação.

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A história é a seguinte: temos o Agente 47 (Rupert Friend), um assassino extremamente inteligente, ágil e eficaz, o qual foi criado, juntamente de outros, pelo Dr. Litvenko (Ciarán Hinds). No entanto, depois que este desaparece pelo mundo, levando consigo mesmo a chave para a construção de outros soldados especiais, ele começa a ser procurado pela perigosa corporação Syndicate International, comandada por Le Clerq (Thomas Kretschmann). Para evitar que isso aconteça, o protagonista, sob comando da ICA (International Contracts Agency), tenta encontrar o cientista, mas, para consegui-lo, precisa se unir à filha dele, Katia van Dees (Hannah Ware).

Sim, parece muita coisa, mas o roteiro explica bem o que acontece. Nos primeiros minutos, somos contextualizados sobre como o Agente 47 surgiu, quem é Litvenko e sua filha e por que os terroristas tantos querem o segredo para o desenvolvimento de outros agentes como o personagem principal. John Smith (Zachary Quinto) aparece como um aliado de Katia, mas não é muito difícil ver que ele é um antagonista após certo tempo.

O desenvolvimento dos personagens, especialmente Katia, é bem feito. Minha única ressalva é em relação ao 47, uma vez que, mesmo tendo informações sobre sua origem, sua conexão com a ICA não é aprofundada. E esse detalhe vale para os fãs do jogo: a missão do agente não é totalmente revelada desde o início, algo que acontece no jogo. No entanto, como isso é um filme, tem que haver suspense, então não vou criar muita picuinha com tal detalhe.

Diana (Angelababy), por sua vez, mal aparece e isso é um problema. A função desta nos jogos é bem mais relevante do que como aparece na adaptação e o desfecho com ela é um tanto quanto confuso. O agente Smith também não aparece na produção, apesar de ter sido incluído no Hitman de 2007, estrelado por Timothy Olyphant.

Com exceção da falta de uma polícia no enredo (parece que só existe ICA e o Sindicato e ninguém faz nada enquanto explodem o mundo), o restante é OK. Gostei de como a história de Katia e Litvenko foi desenvolvida, assim como os vilões. Não ficou um sentimento de vazio ou falta de aprofundamento em relação aos mesmos.

No que diz respeito à ação, Hitman é sensacional. Tudo bem que, no game, as batalhas não são tão cinematográficas como vemos na telona, mas elas são de altíssimo nível. Explosões, lutas e armas têm de sobra e ver a agilidade do 47 enquanto realiza suas missões é muito divertido. A maneira com que ele se move, fala e se disfarça é genial, portanto, pontos para Friend. Paul Walker era o ator anexado ao projeto – cenas de perseguições de carro são várias! -, mas, em função de sua morte, foi substituído pelo britânico. A química dele com Ware é muito boa também, vale ressaltar.

E aí, assistir ou não? Olha, para quem ama o jogo de videogame e espera um longa totalmente fiel, vai ficar decepcionado. A adaptação muda bastantes coisas em termos de roteiro e ação, e introduz novos personagens, além de deixar outros de fora ou diminuídos na história. Temos aqui o dilema de estúdios que querem levar jogos para o cinema: respeitamos completamente o material original ou fazemos algumas adaptações na versão cinematográfica? É possível alterar algumas coisas, mas ainda permitir aos fãs o reconhecimento dos personagens que tanto amam controlar? Aqui ficou bem meio a meio.

Para quem gosta de ação, Hitman é sensacional. Mesmo com a falta de desenvolvimento do protagonista em determinados aspectos, as sequências de tiroteios e brigas, os carros turbinados, o helicóptero que atinge o prédio…tudo incrivelmente feito. A equipe de efeitos especiais está de parabéns!

Eu, pessoalmente, tive um bom entretenimento. Apesar das adaptações deixarem a desejar para os conhecedores do jogo e até mesmo em aspectos de aprofundamento de personagens, considero Hitman: Agente 47 um bom filme para quem procura diversão e ação de qualidade.

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