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Filme: O Agente da U.N.C.L.E

o agente da uncle critica

Filmes de espiões podem ser bem divertidos, sejam eles mais dramáticos, como 007, ou mais cômicos, como A Espiã que Sabia de Menos ou o hit Kingsman. Guy Ritchie aventurou-se no gênero ao dirigir O Agente da U.N.C.L.E (The Man From U.N.C.L.E, 2015), filme que tem estilo de sobra, beleza de sobra e uma história e personagens que têm de tudo para conquistar o espectador. Ele peca em alguns detalhes, mas é imperdível para amantes do gênero.

Ambientado em 1963, em plena Guerra Fria, o roteiro, baseado em uma série de TV norte-americana, acompanha dois agentes cuja missão é impedir uma catástrofe global a ser causada por uma bomba da perigosa Victoria (Elizabeth Debicki). No entanto, a tarefa é ainda mais complicada porque um deles, Solo (Henry Cavill), trabalha para a CIA, e o outro, Illya (Armie Hammer), é da KGB. Mesmo com um alvo em comum, os dois opostos terão muitos problemas entre si e podem comprometer a missão com isso.

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Apesar de algumas surpresas em relação a um personagem ou outro, já fica claro, desde o início, a função de grande parte deles e suas personalidades. Solo é mulherengo – óbvio -, tranquilo e esperto, enquanto Illya tem pavio curto, é duro e calculista. Os dois ainda têm que tomar conta de Gaby (Alicia Vikander), jovem que também é de interesse da vilã, uma vez que seu pai tem os conhecimentos que ela precisa para ativar sua arma de destruição em massa. Teller é pequenininha e aparentemente frágil, mas não é nem um pouco boba.

Não tenho muito o que falar da vilã, pois ela é uma das falhas do enredo. Nas cenas em que aparece, ela sempre se destaca em função de sua inteligência e sutileza, mesmo quando é extremamente cruel. No entanto, chega a incomodar o tanto que ela foi desperdiçada na história, seja com a falta de diálogos mais longos ou mais cenas. Alguns coadjuvantes tiveram pouco aprofundamento, mas ela merecia mais, afinal, é a vilã.

Outro detalhe que não gostei foi o papel clichê de Vikander. Gaby é muito mais do que uma dama em apuros, pelo menos teoricamente, mas o roteiro não vai muito além disso. Ela precisa ser salva o tempo todo e a câmera, como de esperar, usa e abusa de tomadas que focam no corpo sarado da atriz sueca. Uma pena porque, assim como sua compatriota Rebecca Ferguson fez em Missão Impossível – Nação Secreta, ela poderia ter roubado a cena. Mas ficou na hipótese, nunca vemos Gaby chegar ao nível de Ilsa; nem perto.

Tirando a falta de desenvolvimento das personagens femininas, U.N.C.L.E conquista em todos os quesitos. Cavill não me impressionou, mas os seus dotes humorísticos são muito bons (que o diga a cena em que ele come um sanduíche enquanto aguarda Illya se livrar de alguns seguranças). Ele até daria um ótimo James Bond, para ser sincera. Hammer é o perfeito agente russo e sua química com o britânico é bastante satisfatória. Ambos podem não ser atores extremamente talentosos, mas definitivamente agradam e os diálogos que têm sobre moda são hilários. A relação entre tapas e beijos entre Hammer e Vikander – Ritchie brinca com a diferença de altura deles em alguns momentos – é bem fofa e convincente, vale ressaltar.

Em termos técnicos, mais pontos positivos. O figurino, o cenário e a trilha sonora são impecáveis; visualmente, temos um filme belíssimo. Os ternos e roupões, os vestidos das garotas, os carros, as ruas…tudo minuciosamente feito. E muito bem feito. É até capaz de você se lembrar mais dos quesitos visuais da produção do que do roteiro em si quando for falar para alguém sobre a película.

O Agente da U.N.C.L.E entretém do início ao fim, especialmente no que diz respeito à montagem e às cenas de ação. O elenco principal pode ser desconhecido pelo público em geral, mas dê uma chance porque os atores fizeram um ótimo trabalho. Apesar de alguns problemas de desenvolvimento, o roteiro foi bem escrito, tem diálogos cativantes e perseguições e lutas marcantes. Eu veria a próxima aventura da dupla sem nenhuma dúvida!

 

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