Crítica: O Chacal (1997)

O Chacal

LANÇADO EM 1997, O Chacal (The Jackal) é uma daquelas produções duvidosas que Bruce Willis se aventurou no final dos anos 1990. No entanto, por algum motivo que escapa da razão e bom senso, o filme consegue driblar seus defeitos e se tornar um agradável exemplar de ação guilty pleasure.

O Chacal é um assassino profissional contratado para fazer grandes serviços para terroristas. Seu grande trunfo é que quase ninguém é capaz de identificá-lo e isso deixa o pessoal do FBI desesperado conta de uma possível ameaça de ataque ao seu diretor. Obrigados a recrutar um ex-guerrilheiro do IRA, Declan (Richard Gere, eles passam a tentar encontrar o assassino antes que seja tarde demais.

Os créditos iniciais possuem uma clara influência do trabalho de Kyle Cooper em Seven, de David Fincher. Todos os ingredientes estão presentes, como as imagens fragmentadas, a música e a tipografia. Uma introdução perfeita, mas que fica um pouco perdida quando comparada com o tom do filme. Os créditos são sombrios demais para um longa-metragem com cores tão vivas e com o galã Richard Gere fazendo um sotaque irlandês tosco.

Ainda no elenco temos J.K. Simmons provando a teoria que mesmo novo ele tem cara de velho (na época, ele tinha 42 anos) e o veterano Sidney Poitier, que tem um chilique muito louco num breve momento da introdução, pouco antes de ser salvo por Valentina (Diane Venora). E, claro, a participação breve de Jack Black sendo ele mesmo, um criminoso maconheiro de segunda categoria.

O roteiro, baseado na produção O Dia do Chacal, de 1973, não é lá muito inteligente. Ou então é cara de pau o suficiente para tentar subestimar a nossa inteligência com a total falta de verossimilhança da trama. Existem situações absurdas em que pessoas mais inteligentes ficariam refletindo e se perguntando se os personagens retratados são tão burros quanto aparentam. Não há como conseguir explicar a cena do trem no ato final e entender como é que o veículo continuou em funcionamento após alguém se jogar nos trilhos. Quanta insensibilidade desse piloto!

Outro momento risível da obra é o previsível clichê do assassino que praticamente retorna dos mortos para um último grande susto. Não apenas a cena é medíocre, como escancara a necessidade de fazer com que o homem seja o responsável real por dar cabo no inimigo. Afinal, seria impensável deixar que o terrível Chacal pudesse ser morto por uma mulher, não é mesmo? Desnecessário.

Mesmo com seus defeitos, O Chacal é um irresistível guilty pleasure de ação. Parte do charme certamente está na dinâmica entre Richard Gere e Bruce Willis, que conquistam os espectadores rapidamente, independente de parecerem dois canastrões atuando numa obra dos anos 1970.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.