Crítica: O Sono da Morte (2016)

poster o sono da morteMESMO SENDO UM CONSUMIDOR COMPULSIVO DE TERROR, meu principal interesse em O Sono da Morte (Before i Wake, 2016) está em “reencontrar” o jovem talento de Jacob Tremblay (O Quarto de Jack). É acompanhando o trabalho de um pequeno ator em produções de gêneros distintos que descobrimos se a pessoa é boa de serviço de verdade. Felizmente, o caso de Tremblay, ele realmente é um moleque fora do padrão e se dá muito bem no longa-metragem comandado por Mike Flanagan.

Depois da morte trágica de seu filho pequeno, um casal (Kate Bosworth e Thomas Jane) adota uma criança educada, mas que insiste em não dormir. O motivo é que os sonhos do pequeno Cody (Tremblay) acabam se tornando realidade e oferecendo um grande risco para a vida das pessoas ao seu redor.

Ainda em 2016, Flanagan comandou o excelente suspense Hush. Lançado direto em vídeo, mas que já tem uma crítica completa produzida no Cinema de Buteco e fica mais uma recomendação para você assistir. Em O Sono da Morte, ele flerta com o mundo fantástico que poderia muito bem ter saído da cabeça do escritor britânico Neil Gaiman ou ser uma espécie de releitura menos “viajada” de O Labirinto do Fauno. Além, óbvio, do clássico A Hora do Pesadelo, de Wes Craven.

Sem querer inventar moda, o cineasta injeta a quantidade de fantasia necessária para não desviar o foco do seu público. Ainda que a utilização das borboletas/mariposas não represente exatamente transformação ou mudança (significados comuns para explicar a presença dos insetos em obras), elas são coloridas o suficiente para distraírem a atenção do que acontece ao fundo do cenário e para não causarem estranhamento quando o clima ficar mais sombrio e o misterioso monstro dos sonhos de Cody ganhar forma para atacar as pessoas ao seu redor.

O roteiro deixa no ar a explicação – por que será que precisamos tanto entender como as coisas funcionam? – para a “magia” de Cody. Existem milhares de possibilidades a serem exploradas e compreendidas pelo público, o que é ótimo, afinal, ao não revelar exatamente o “mistério”, o longa permite a realização de discussões sobre Cody e seus sonhos. Seriam eles reais realmente? Teria ele tanto poder ao ponto de conseguir recuperar a vida de todos aqueles que cruzaram o seu caminho no passado?

O Sono da Morte não é lá uma produção obrigatória para os entusiastas do terror, mas pela chance de ver Jacob Tremblay em cena é uma boa recomendação. A questão principal é não interpretar o longa como um filme de terror bobão que se resume a sustos. Ele é bem maior e pretensioso que isso. E quem ganha é o espectador, que tem em mãos uma opção de entretenimento de qualidade.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.