Crítica: Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Burr Steers
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Filme: Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016)

orgulho-e-preconceito-e-zumbis-crítica-838x558 Filme: Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016)

Não é uma excelente adaptação, mas quem gosta de zumbis é diversão total. Quer dizer, eu pelo menos me senti bastante entretida enquanto vi Orgulho e Preconceito e Zumbis (Pride and Prejudice and Zombies, EUA, 2016), baseado em livro homônimo de Seth Grahame Smith. É uma paródia sangrenta e hilária da clássica história.

Basicamente, temos aqui os mesmos personagens da obra, mas em um contexto totalmente diferente. Estamos no Reino Unido no século XIX, mas sob ataque de zumbis, frutos de uma peste que se alastrou pela região. Ou seja, imagine o romance complicado de Elizabeth (Lily James) e Darcy (Sam Riley) em um mundo onde ambos são excelentes guerreiros e precisam se preocupar não só com seus entes próximos emocionalmente, como também proteger a si mesmos e eles de ataques de mortos-vivos.

O que me atraiu no filme foi o humor e carisma do elenco. A cena de abertura, por exemplo, é hilária: Darcy é enviado pelo governo para matar um humano infectado que se esconde e consegue fazê-lo da maneira mais eficaz possível. A pessoa jamais fala que ela é um futuro zumbi, mas alguns mosquitos comedores de carne morta pousam no rosto do alvo e o soldado tem sua missão cumprida segundos depois. Cenas que nos fazem rir são constantes no roteiro, muitas delas em momentos tensos que envolvem zumbis (nervosos ou ainda em transformação). Eu tenho pavor dessas criaturas, mas admito que foi bem mais tranquilo ver o longa por causa de minhas constantes risadas.

O fato de termos cinco irmãs bem treinadas na arte da luta chinesa torna todo o drama da história original mais divertido. Elizabeth e Jane (Bella Heathcote) em específico são excelentes guerreiras e conseguem se virar perfeitamente diante de ameaças. É claro que a primeira é o maior foco da adaptação, assim como seus conflitos com o arrogante Darcy, mas vê-las combatendo o inimigo na tela é bem divertido. Salto alto, vestidos, penteado e maquiagem por fora, mas armas de fogo, facas e habilidades de sobra embaixo de toda a produção.

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A única ressalva que faço em relação ao filme é a história. Por mais que o início nos contextualize bem sobre o que acontece na Inglaterra e a premissa básica de Orgulho e Preconceito seja mantida, os coadjuvantes não foram bem trabalhados e algumas mudanças podem surpreender quem leu o livro. O terceiro ato em especial tem vários momentos diferentes da trama original: a presença de Wickham (Jack Huston) foi aumentada e totalmente transformada – com um fim bem, desculpa a palavra, tosco -, Collins (Matt Smith) teve um happy ending, o confronto de Lady Catherine (Lena Headey) com Elizabeth é menos intenso e o entendimento da jovem com Darcy se dá de outra forma também.

Portanto, acho que as diferenças consideráveis da obra de Grahame Smith, presentes na segunda metade, podem atrapalhar os fãs. Querendo ou não, o roteiro elaborou uma outra dinâmica entre vilões e heróis e o desenvolvimento dos minutos finais é como se os autores quisessem construir uma outra explicação para tudo aquilo. Entendo que trata-se de uma adaptação, mas achei desnecessário.

Por outro lado, no caso de quem nunca leu a história pode ser que a apreciação seja bem positiva. Afinal, temos aqui um filme de época engraçado e muitos zumbis para trazer bastante ação; entretenimento não falta a meu ver.

 

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.