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Filme: Quarteto Fantástico

Crítica Quarteto Fantástico

Em 2005, a Fox lançou Quarteto Fantástico, com Chris Evans (nosso Capitão América) no elenco. Não agradou tanto, chegou a ter uma continuação, mas caiu no esquecimento. Tanto que resolveram começar tudo de novo dez anos depois. O estúdio escolheu Josh Trank, diretor do hit Poder Sem Limites, para comandar o filme, além de um elenco de altíssimo nível. Resultado? Muito, mas muito melhor que o antigo. Não é incrível – longe disso – ou marcante e tem problemas de desenvolvimento, mas trata-se de uma boa pedida para os fãs dos quadrinhos.

O longa começa com Reed (Miles Teller) e Ben (Jamie Bell) crianças, quando o primeiro tenta desenvolver um tele transportador em casa e acaba dando errado. Alguns anos depois, os dois apresentam o projeto novamente em uma feira da escola e chamam a atenção de Franklyn Storm (Reg E. Cathey) e a filha, Sue (Kate Mara). A partir daí, eles trabalham no projeto ao lado de Victor (Toby Kebbell) e Johnny (Michael B. Jordan), mas um acidente em outra dimensão os transforma nos famosos personagens que conhecemos: Dr. Fantástico, Mulher Invisível, O Coisa, Tocha Humana e Dr. Destino.

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A primeira metade da adaptação é excelente. Conhecemos um pouco os personagens e suas histórias, como os caminhos deles se cruzam e os acontecimentos que levam à viagem à uma nova dimensão e a consequente transformação que eles sofrem em suas vidas. Os diálogos entre os personagens, incluindo a relação doce e engraçadinha entre Sue e Reed – viram um casal no futuro – e o temperamento difícil de Victor, são destaques. Os problemas aparecem é depois disso.

Ok, os cinco são afetados por uma energia alienígena e sofrem mudanças em seus corpos. Reed se assusta e foge, enquanto o restante começa a ser usado como ferramenta pelo exército americano em guerras. Nenhuma surpresa nisso, uma vez que o primeiro se sente culpado pelo que acontece e é óbvio que o Pentágono iria querer explorar o potencial bélico dos outros três (eles ficam reclusos, não vemos nenhum contato deles com o resto do mundo, a não ser em conflitos). Sim, três porque depois do acidente o roteiro simplesmente esquece ou ignora a existência de Victor, que não retorna à Terra. Ao invés de mostrar um pouco o que aconteceu com ele e suas dores naquela dimensão, o enredo só foi introduzi-lo como Dr. Destino nas cenas antecedentes às finais.

Além desse vazio em relação ao vilão, a produção perde pontos na batalha entre o Quarteto Fantástico e ele. Tudo se dá rapidamente, só um monte de destruição e sangue, quase nenhum diálogo útil…ou seja, decepcionante. E com todos os poderes que Destino adquire, foi simples demais. Faltou criatividade!

Os efeitos especiais são ótimos e também não vi nenhum problema com o elenco. O único defeito do reboot é o terceiro ato e como ele foi narrado. Imagine que você foi a um restaurante, comeu um prato delicioso e, na hora da sobremesa, foi abaixo do esperado. Foi a mesma sensação que tive aqui. Por que uma primeira metade com um conteúdo tão bem inserido e o restante pobremente trabalhado? E para quem espera uma cena pós-créditos, não tem. É da Marvel, mas optaram por não colocar nada.

Recomendo Quarteto Fantástico? Para um começo, não foi ruim e nem ótimo, foi apenas bom. Bem feito, muita ação, gostei dos atores, enfim, por mais que alguns detalhes sejam negativos, não desaconselho a película da Fox. Vamos torcer para que a continuação marcada para 2017 seja melhor!

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