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Filme: Rocky V

Rocky V

ROCKY V, produzido em 1990, é óbviamente o quinto filme da franquia. Surpreendentemente, um dos melhores exemplares, ao lado da segunda e sexta parte, além, da perfeição que é o longa-metragem original. Aliás, em comum com a produção que iniciou tudo lá em 1976, temos a repetição da dobradinha com John G. Avildsen na direção e Sylvester Stallone repetindo os créditos como protagonista e roteirista. O retorno do diretor garante uma tentativa bem sucedida de recuperar o respeito após o desastre que é o quarto filme.

Sequência direta do longa-metragem anterior, Rocky V não dispensa os tradicionais flashbacks que marcam toda a franquia. Para “refrescar” a mente do espectador, a produção começa mostrando cenas do confronto derradeiro de Rocky com Drago (Dolph Lundgren) e logo depois disso temos as consequências diretas da luta na saúde do nosso herói, que é obrigado a se afastar dos ringues.

O problema é que Rocky descobre que está completamente falido depois que o seu cunhado dá um passo em falso e coloca todo o patrimônio conquistado pelo lutador nos últimos 20 anos nas mãos de um caloteiro. Impedido de retomar a carreira nos ringues com o risco de ter sequelas ainda mais graves, Rocky volta exatamente para o ponto em que o conhecemos na produção de 1976. Ele abre o antigo ginásio de Mick e começa a treinar novos talentos. Nisso, ele conhece um novo e talentoso boxeador e se torna um treinador. Porém nada pode ser fácil na vida de Rocky e a falta de escrúpulos de um agente esportivo acaba colocando mestre e pupilo em confronto. E essa é uma das coisas mais interessantes de Rocky V: acompanhar a jornada de um boxeador aposentado treinando um jovem que o faz lembrar de si mesmo.

Tommy é uma espécie de “clone” de Rocky e massacra todos os seus oponentes. Como está proibido de lutar, Rocky começa a viver a sua vida através das conquistas de Tommy. Poderia ser uma combinação de sucesso, como outrora aconteceu entre Micky e Rocky, mas a ganância fala mais alto e a união dos dois logo acaba. Pena que o desenvolvimento desse arco de história envolvendo traição foi abordado de uma maneira pouco profunda e envolvente.

O roteiro de Stallone acerta em cheio ao colocar o protagonista dando as costas para a sua família e perdendo a amizade/confiança do filho em troca da chance de viver do passado. Inclusive, percebemos as sutilezas com que Stallone trata seus personagens criando situações que nos remetem ao passado dos mesmos: no filme original, Rocky tenta conquistar Adrian com várias piadas horríveis. Em Rocky 5, ele repete piadas igualmente terríveis para tentar ficar bem com o filho.

Aliás, como não comentar a evolução da personagem de Talia Shire? Adrian é apresentada como uma mulher tímida e calada nos primeiros contatos com a franquia. Com o passar dos anos-filmes, ela vai amadurecendo e se torna uma verdadeira força por trás do sucesso de Rocky. Ela não é apenas a motivação do protagonista, mas uma mulher forte, decidida e que tenta fazer o bem para a sua família.

Rocky V foi concebido como um encerramento com chave de ouro para a franquia estrelada por Sylvester Stallone. Além da narrativa buscar concluir o arco de história do personagem, os créditos finais fazem uma homenagem para as obras anteriores e todos aqueles que fizeram parte de alguma maneira da vida de Rocky Balboa. Caso tivesse acabado aqui, teria sido honesto. Mas sabem como são as coisas em Hollywood e 16 anos depois alguém quis trazer Rocky de volta…

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.