Filme: Sentimentos que Curam

sentimentos que curam críticaUm pai maníaco depressivo aceita cuidar das filhas enquanto a ex-mulher vai estudar em Nova York. Parece um baita de um drama – e é -, mas Sentimentos que Curam (Infinitely Polar Bear, 2015) é também uma linda história de amor entre pais e filhos, recheada de cenas cômicas e fofas. Pode ter faltado uma maior exploração de alguns personagens coadjuvantes, mas, de maneira geral, a diretora Maya Forbes apresenta um filme gostoso e profundo.

Cam (Mark Ruffalo) e Maggie (Zoe Saldana) se conhecem na década de 1960, na onda do movimento hippie, e têm duas filhas: Amelia (Imogene Wolodarsky) e Faith (Ashley Aufderheide). Após vários anos juntos, as atitudes perigosas e inapropriadas do homem levam a esposa a deixá-lo, e ele passa um tempo internado até ficar estável novamente. A situação fica complexa quando Maggie busca investir na vida profissional e fazer um MBA na Universidade de Columbia: para que isso seja possível, ela precisa que as filhas fiquem em Boston com o pai nos próximos 18 meses. Só que, mesmo liberado pelo médico e com a confiança da esposa para cuidar das jovens, a fase difícil das adolescentes e as recaídas do homem vão resultar em diversas desavenças, brigas e altos e baixos.

No começo, você pensa: que mãe deixaria as filhas sozinhas com um pai maníaco depressivo? Ok, não é tão sério assim. No caso de Cam, o que entra em seu caminho, na maioria das vezes, são problemas que afetam muitos pais, como a falta de paciência com os filhos rebeldes e a falta de organização. É claro que o protagonista tem algumas características específicas de sua condição, como o modo inadequado de se vestir (em uma cena ele está apenas com cueca na parte de baixo ou com combinações de roupa bem bizarras) e mudanças de temperamento constantes, mas no decorrer do longa você percebe que ele consegue tomar conta das meninas. Além disso, estas exigem que a mãe venha todo fim de semana de Nova York, o que ajuda bastante.

A relação entre os membros da família é um dos pontos mais fortes de Sentimentos que Curam (ótimo título, por sinal, resume bem a história). É muito difícil não se identificar com o que você vê na telona, como as incansáveis brigas dentro de casa por causa de bagunça e escola, ou momentos felizes em passeios divertidos. Amelia e Faith podem ter crises de chatice, mas quem nunca foi irritante assim quando pequeno? E elas são muito fofas, sentir raiva delas é difícil. Maggie pode não ter um papel de destaque como o de Cam (Ruffalo está impecável), mas Saldana interpretou muito bem a mãe batalhadora e determinada que faz de tudo pela família.

Um dos poucos problemas do drama de Forbes é a falta de desenvolvimento dos personagens coadjuvantes. O enredo é centrado na vida de Cam, suas filhas e ex-mulher, mas temos pessoas que participam do mesmo e que não passaram de figurantes praticamente. Temos os pais de Cam, que aparecem uma vez no roteiro para falarem que o filho não é capaz de cuidar das filhas sozinho, e Gaga (Muriel Gould), a mulher mais rica da família dele e que os ajuda financeiramente. Esta até que aparece para dizer coisas úteis em alguns diálogos, mas, de maneira geral, ficou um pouco confusa a compreensão sobre a vida pessoal de Cam. A presença dos pais foi fraca demais e Gaga poderia ter tido mais espaço, ainda mais porque ela é super carismática.

Infinitely Polar Bear é um filme para toda a família, uma história sobre amor e como ele é capaz de transformar a vida de qualquer pessoa. Por isso que achei o título em português tão perfeito para a película: Sentimentos que Curam. Seja raiva, tristeza, depressão ou alegria, quando estamos em família tudo é diferente, mesmo com problemas sérios em casa. No caso de Cam, temos um pai e ex-marido que passa por uma grave crise, tem recaídas, mas que, como o passar do tempo, vai se ajustando à sua família e vice-versa; eles aprendem a conviver bem juntos e é lindo ver isso.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.