Filme: Splash: Uma Sereia em Minha Vida (1984)

Splash Uma Sereia em Minha Vida

INICIAMOS A PARTIR DE HOJE UM ESPECIAL ANALISANDO A FILMOGRAFIA DO CINEASTA RON HOWARD, um caso de ator infantil que não se rendeu aos caminhos tortuosos da fama e conseguiu se firmar na carreira filmando histórias que falam muito sobre a relação do homem com a tecnologia e eventos importantes que aconteceram no mundo. Ou simplesmente, como é o caso em Splash: Uma Sereia em Minha Vida (Splash, 1984), uma deliciosa comédia romântica sobre uma sereia apaixonada.

Depois de muitas participações em séries de TV e com uma participação num longa-metragem de terror de 1980 (He Knows You’re Alone), Tom Hanks teve a sua grande oportunidade estrelando Splash. Logo na sua “estreia”, o ator já demonstrava todo o carisma e talento que consolidariam a sua carreira, sem falar num charme inesperado que o coloca num improvável patamar de galãs dos anos 1980. Ao lado dele, para dar peso ao elenco (hahaha), Howard escalou o hilário John Candy, que já entra em cena justificando sua fama engraçada e divertida. As cenas com Candy são as melhores de Splash e o humor do ator é uma coisa realmente especial, daquelas que nos fazem rir independente do nosso estado de espírito. Para completar, no papel mais importante, está Daryl Hannah (Blade Runner: O Caçador de Andróides) num de seus melhores momentos da carreira. E não digo isso (apenas) por conta da sugestão de nudez presente em sua introdução.

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Splash começa com um flashback que mostra a infância de Allen (Hanks) e um pequeno acidente em que ele quase se afogou. Hoje, o recurso utilizado por Howard para situar o espectador de que ele está vendo algo que aconteceu 20 anos antes (o uso de uma tonalidade sépia para as cenas) é um tanto ultrapassado, para não dizer cafona. Entende-se que nós somos um público muito mais refinado e graças às nossas várias experiências cinematográficas conseguimos entender essas transições temporais sem muitos problemas. No entanto, toda essa sequência é salva pela curiosidade do pequeno Freddie (Candy) derrubando moedas para ver debaixo dos vestidos das mulheres.

Gosto especialmente dos cuidados da produção na caracterização de Allen. Mesmo após o acidente que o deixou traumatizado e sem saber nadar, ele continuou demonstrando uma conexão com o universo marinho. Prova disso é o aquário que está no seu escritório no trabalho e o outro que fica em sua casa. Os minutos iniciais são completamente dedicados para apresentar esse personagem e suas motivações. Howard faz isso muito bem e com a qualidade da interpretação de Tom Hanks tudo fica ainda mais eficiente.

O roteiro cheio de piadas inteligentes e deliciosas transforma Splash numa obra leve e obrigatória para fãs do gênero. Ainda que seja engraçado ver uma sereia retratada de uma maneira tão romântica e inocente (um dos motes principais da produção poderia causar revolta no público atual, já que a sereia é retratada como uma mulher burra e um prato cheio para várias das piadas que acontecem na primeira metade do filme), quando o “comum” é esperar que elas causem a ruína dos homens. Howard subverte esse conceito e nos presenteia com uma produção inesquecível.

Ps: diz a lenda que muitas garotas nascidas a partir da segunda metade dos anos 1980 foram batizadas de Madison por conta da personagem de Daryl Hannah.

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