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Crítica: Uma Noite de Crime (2013)

É DIFÍCIL SER UM ENTUSIASTA DO GÊNERO HORROR, pois cada novidade é colocada num patamar elevado justamente pela falta de títulos de qualidade inquestionável. Algumas novidades acabam merecendo um certo destaque num primeiro momento, mas não sobrevivem ao teste do tempo e de uma examinação mais cuidadosa. Mama é um bom exemplo. Mesmo com um roteiro falho, a produção arrancou elogios justamente por não ser uma merda e ter várias cenas de susto bem construídas. Uma Noite de Crime (The Purge) segue o mesmo caminho, e com a possibilidade de ganhar continuações com orçamentos maiores e cuidados especiais no roteiro para se tornar uma franquia de sucesso.

A trama se passa em 2022, quando a população dos Estados Unidos está tão violenta que o governo cria um feriado dedicado especialmente para que todos coloquem seus demônios para fora e saiam se matando. Sim. O Governo estimula as pessoas a matarem umas às outras como maneira de tornar o país mais seguro e criar o verdadeiro remédio contra o stress. Uma família acaba abrigando acidentalmente uma vítima da matança e acabam virando alvo de um grupo de jovens maníacos decididos a se aliviarem estourando a cabeça do próximo.

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É o segundo ano consecutivo que Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite) estrela um longa-metragem de horror. Em 2012, o ator protagonizou A Entidade, considerado como um dos cinco melhores filmes do gênero no ano, segundo o Cinema de Buteco (veja a lista completa). Desta vez ele interpreta um pai de família almofadinhas com as melhores intenções e que se vê diante um dilema: matar um inocente ou correr o risco de colocar a segurança de sua esposa e filhos em risco. Destaque no elenco é o psicopata vivido por Rhys Wakefield.

O roteiro é meio problemático em alguns momentos, como por exemplo a atitude do namorado da filha adolescente de Hawke. Só a Mallory Know (Assassinos por Natureza) ou (Terra de Ninguém) aceitariam na boa ver o pai ser assassinado pelo futuro marido. A jovem em questão não tem perfil de matadora e provavelmente enlouqueceria. A decisão de manter a “vítima” amarrada quando a casa é invadida também é questionável, especialmente quando ela consegue escapar de maneira conveniente na hora em que tudo parecia perdido.

Com uma ideia original, e ousada, somado o interesse do público refletido na boa bilheteria da produção, continuações serão inevitáveis. The Purge pode ser o filme que os órfãos de Jogos Mortais estavam esperando, independente das premissas serem distintas. É como se fosse a mistura de Jigsaw com os maníacos de O Albergue, mas com proporções muito maiores. Bom filme.

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