Filme: Voando Alto (2016)

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Histórias comoventes de atletas são comuns e Michael Andrews está entre elas. Ele não ganhou nada, mas conquistou o mundo com sua determinação ao participar dos Jogos Olímpicos de Calgary, em 1988. Dexter Fletcher tentou mostrar a história do britânico em Voando Alto e até consegue nos emocionar em certos momentos, mas falha em ser fiel.

A mensagem sobre seguir nossos sonhos não é nova no cinema ou em qualquer outra arte; ela já está mais do que batida. Mas a questão aqui não é essa, bater na mesma tecla não impede um filme de ser bom. A questão aqui é como o roteiro altera coisas demais e parece que apenas a trama central foi mantida; o restante é ficção. E fazer isso com uma figura tão marcante do esporte não faz sentido.

O esforço e personalidade de Edwards (Taron Egerton) são muito bem destacados na tela, com uma performance impecável de Egerton. Mas esse é praticamente o único detalhe verossímil na tela. Ele não aprendeu a saltar da noite pro dia, não era filho único e dois personagens que guiam a história nunca existiram: Bronson (Hugh Jackman) e Warren (Christopher Walken). Quando pesquisei a história de Eddie e descobri que ambos eram totalmente fabricados foi uma surpresa. E negativa.

A presença desses personagens é essencial no enredo e na trajetória do jovem atleta. Bronson é um ex-campeão de salto que treina Edwards e Warren é uma estrela do esporte, o qual treinou Bronson e escreveu um livro que auxiliou bastante Eddie em sua caminhada. Sem eles, especialmente o primeiro, o futuro do sonhador não teria se realizado; pelo menos nessa versão de sua biografia. E eles não são reais? Pra que vender esses falsos relacionamentos?

O fim também deixa a desejar, pois foi bastante incompleto no que diz respeito ao futuro do protagonista. Do jeito que termina, fica bem claro que Bronson tinha interesse em treiná-lo por mais tempo e tentar competir de verdade por medalhas nos próximos jogos olímpicos, mas nada é dito. Para quem não conhece Edwards fica uma sensação de quero mais.

À parte do roteiro defasado, esta adaptação é muito boa nos quesitos técnicos e elenco. O nosso envolvimento com o esporte é bastante forte, por meio de tomadas em câmera lenta dos saltos, treinamentos hilários e dos diálogos apaixonados entre os personagens. A trilha sonora traz uma forte pegada musical anos 80 (o filme se passa em 1987 e 1988 principalmente), tanto na parte orquestral de Matthew Vaughn, como na de canções. “Jump”, do Van Halen, é uma das faixas presentes no longa.

Egerton captou muito bem a personalidade de Edwards, em especial os seus maneirismos, algo que nos faz lembrar muito bem do atleta olímpico. Jackman pode interpretar um papel irreal, mas também merece elogios. Juntos, os dois atores têm bastante carisma e isso ajuda a conquistar o espectador.

No fim das contas, sem grande preocupação com a veracidade, Voando Alto usa a história real de uma figura carismática para passar a batida mensagem “não desista dos seus sonhos”. Mas não deixa de ser um grande entretenimento para quem busca a diversão somente.

 

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.